Mundo
15/08/2008 - 19h19

Após Geórgia assinar acordo, França diz que Rússia irá retirar tropas

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da Folha Online

O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, disse nesta sexta-feira a seu colega francês, Nicolas Sarkozy, que Moscou assinará o acordo de cessar-fogo mediado por Paris e que vai retirar suas tropas da Geórgia, informou o escritório do governo francês.

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Os dois presidentes conversaram após o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, assinar o acordo. Sem entusiasmo, Saakashvili disse que o documento tratava especificamente do fim dos combates e da retirada das tropas russas, mas não do futuro das regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia --ambas pró-Rússia. "Isso não acabou. Nós precisamos fazer o máximo para evitar que esse comportamento se repita no futuro."

Arte/Folha Online
mapa ossétia

"[Medvedev] confirmou que também assinará o acordo e que a Rússia respeitaria escrupulosamente os compromissos do acordo, de maneira especial os relativos à retirada das forças russas", informou o gabinete de Sarkozy.

O subchefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia, general Anatoly Nogovitsyn, afirmou que o cessar-fogo com a Geórgia já está sendo cumprido e que os combates já terminaram.

No entanto, poucas horas após o anúncio de que a Geórgia havia assinado o acordo, o presidente georgiano disse que tanques russos haviam ocupado mais duas cidades no centro de seu país. Um correspondente da agência de notícias Reuters viu movimentação de blindados e helicópteros russos avançando a apenas 55 quilômetros de Tbilisi.

A Rússia está sob pressão internacional, liderada pelos EUA, para retirar suas tropas após os confrontos com as forças georgianas no conflito que começou após a tentativa da Geórgia de retomar a região separatista da Ossétia do Sul.

ONU

Também nesta sexta-feira, a mais alta corte da ONU (Organização das Nações Unidas) informou que fará audiências públicas entre os dias 8 e 10 de setembro para analisar o pedido da Geórgia, que alegou que a Rússia violou os direitos humanos de pessoas com etnia georgiana.

Na última terça-feira (12), a Geórgia entrou com uma ação na Corte Internacional de Justiça, que investiga conflitos entre nações, acusando a Rússia de limpeza étnica nas Províncias de Ossétia do sul e Abkházia.

Nesta sexta-feira, a corte afirmou em um comunicado que as audiências terão como foco o pedido georgiano de "indicação de medidas provisórias", e que irá ouvir representantes de ambos os lados.

Os casos apresentados à corte costumam demorar anos para terminar, mas, se uma das partes pedir uma indicação de medidas provisórias, os juízes da corte podem dar uma ordem provisória.

Em sua ação, a Geórgia acusa a Rússia de violar uma convenção antidiscriminação em três intervenções na Ossétia do Sul e na Abkházia, desde 1990 até agosto de 2008.

Bush

Irakli Gedenidze/Efe
A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, se reúne com o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, para mediar o conflito
A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, se reúne com o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, para mediar o conflito

Pouco antes do anúncio da assinatura do cessar-fogo na Geórgia, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, fez um pesado pronunciamento contra a Rússia, na Casa Branca. Foi a terceira vez, em três dias, que Bush faz discursos contra a Rússia.

"Para começar a consertar suas relações com os Estados Unidos, a Europa e outras nações e para começar a recuperar seu lugar no mundo, a Rússia precisa respeitar a liberdade dos países vizinhos", afirmou. "A Guerra Fria acabou."

Os conflitos entre Geórgia e Rússia começaram na quinta-feira (7), quando a Geórgia, que é aliada dos EUA, enviou tropas para retomar o controle sobre a Ossétia do Sul, uma região separatista que declarou independência no começo dos anos 90. Moscou reagiu à ofensiva porque apóia o pequeno território e mantêm forças de paz na região.

Escudo

Em meio à grave crise no Cáucaso, EUA e Polônia anunciaram ontem a assinatura de acordo para a instalação de um escudo antimísseis americano em território polonês. De acordo com o documento, em troca de sediar o escudo, a Polônia receberá reforço armamentista.

O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, criticou a iniciativa e afirmou que o país se sente ameaçado. "O desenvolvimento de novas forças antimísseis têm como alvo a Rússia". Mais cedo, o o general Anatoly Nogovitsyn, integrante do comando militar russo, havia dito que o escudo deixou a Polônia "100% exposta a ataques" e insinuou que a Rússia está disposta a atacar a Polônia, caso o escudo seja usado contra o país.

Com agências internacionais

Comentários dos leitores
J. R. (1000) 07/10/2009 09h20
J. R. (1000) 07/10/2009 09h20
Marcel Guazzelli () 04/03/2009 08h56 - Revisando, Sr. Marcel, as nossa informações se complementam. Eu apenas preferiria que Stalin não ficasse no poder, porém sem ele não sei se a Rússia teria vencido. Enfim, as tropas alemãs foram todas dizimadas pelos russos nos Balcãs. sem opinião
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Marcel Guazzelli (4) 04/03/2009 08h56
Marcel Guazzelli (4) 04/03/2009 08h56
Sr JR, as maiores baixas foram russas, as melhores tropas alemãs estavam no flanco oriental ... só pra citar alguma coisa.... não vou aqui abrir a wikipédia e pegar um monte de números para justificar a minha posição, o que sería muito fácil... Mas atacar velhos e menores de idade, flanco ocidental, tenho absolutamente certeza que foi bem mais fácil 4 opiniões
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J. R. (1000) 27/02/2009 16h08
J. R. (1000) 27/02/2009 16h08
O Ocidente informava a posição das tropas alemãs e enviava suprimentos e combustíveis para as linhas russas, ó Marcel Guazzelli (2) 04/10/2008 09h21
quando diz "Sr. J.R. , quem mais ajudou para a derrocada alemã foram os russos e não os aliados. Leia mais, por favor... ". Desculpe Sr. Guazzelli, procuro me aprofundar no que leio, portanto não leio pasquins ...
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