Líder da Ossétia do Sul dissolve o governo e proclama estado de emergência
da Folha Online
O líder da república separatista georgiana da Ossétia do Sul, Eduard Kokoity, dissolveu o governo e declarou estado de emergência nesta região rebelde neste domingo, quase duas semanas depois do início do conflito entre a Geórgia e a Rússia pelo território.
"Ele assinou três decretos, um deles com a demissão do governo, outro com a proclamação do estado de emergência na Ossétia do Sul e o terceiro com a criação de uma comissão da emergência encarregada de liquidar as conseqüências da agressão georgiana", declarou Kokoity ao canal russo Vesti-24.
O líder ossetiano reprovou seu governo por uma distribuição lenta da ajuda humanitária aos habitantes da Ossétia do Sul, enfatizando que um funcionário deve trabalhar para seu povo e não em benefício próprio.
| Arte/Folha Online |
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Ontem, Estados Unidos, Alemanha e França pressionaram a Rússia a retirar suas tropas da Geórgia ao mesmo tempo em que o presidente russo, Dmitri Medvedev, anunciou que começará a retirada nesta segunda-feira. Desde a assinatura do acordo de cessar-fogo pela Rússia --que havia sido feita anteriormente pela Geórgia--, a pressão ocidental para a retirada de tropas russa tem aumentado.
Os Estados Unidos e a França já haviam acusado a Rússia de descumprir a trégua, pelo fato de tanques e soldados russos continuarem a rodar livremente pela Geórgia. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, alertou neste domingo que a Rússia enfrentaria "sérias conseqüências" se não começasse a retirada e falou mais cedo com Medvedev pelo telefone.
Em um comunicado divulgado pelo Kremlin, Medvedev anunciou que o começo da retirada das tropas acontecerá nesta segunda, mas não fez menção sobre deixar a Ossétia do Sul, região separatista que está no centro do conflito.
Busca e captura
No sábado, a Geórgia emitiu uma ordem internacional de busca e captura contra o presidente da Ossétia do Sul. Eleito presidente da Ossétia do Sul em dezembro de 2001, Kokoiti acusou Tbilisi de "genocídio" por conta de sua ofensiva militar contra o povo da Ossétia do Sul.
Em 2006, Kokoiti convocou um plebiscito, no qual 99% da população local apoiou a independência da região separatista.
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"Ele deve ir para a prisão ou para [o tribunal de] Haia. Nós não temos o que conversar com ele ou com outros líderes separatistas", disse o ministro de Reintegração georgiano, Temur Yakobashvili, em uma entrevista coletiva.
Os confrontos tiveram início quando a Geórgia, que é aliada dos EUA, enviou tropas para retomar o controle sobre a Ossétia do Sul. Moscou reagiu à ofensiva porque apóia o pequeno território e mantêm forças de paz na região. Entenda as causas do conflito.
A Ossétia do Sul, que pertence oficialmente à Geórgia, autoproclamou sua independência em 1992 depois da desintegração da União Soviética e está determinada a obter seu reconhecimento.
| Mikhail Metzel/AP |
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| Moradores da Ossétia do Sul comem em um campo de refugiados na Ossétia do Norte |
Vítimas
O Acnur (Alto Comissariado da ONU para os Refugiados) colocou em 158 mil o número de deslocados causados pelo conflito armado entre Rússia e Geórgia pela região separatista georgiana da Ossétia do Sul. A estimativa da agência se baseia em números fornecidos pelos governos dos dois países.
A cifra inclui 98,6 mil deslocados na Geórgia, 30 mil na Ossétia do Sul e outros 30 mil na Rússia, informou a agência da ONU. Na última terça-feira (12), o Acnur informou que o conflito havia deixado quase 100 mil deslocados.
Um comboio do Programa Mundial de Alimentos e do Acnur se dirigia neste domingo à cidade de Gori (centro da Geórgia) e a mais próxima à Ossétia do Sul, levando ajuda para 1.500 pessoas.
Com France Presse
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