Mundo
18/08/2008 - 02h07

Líder da Ossétia do Sul dissolve o governo e proclama estado de emergência

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da Folha Online

O líder da república separatista georgiana da Ossétia do Sul, Eduard Kokoity, dissolveu o governo e declarou estado de emergência nesta região rebelde neste domingo, quase duas semanas depois do início do conflito entre a Geórgia e a Rússia pelo território.

"Ele assinou três decretos, um deles com a demissão do governo, outro com a proclamação do estado de emergência na Ossétia do Sul e o terceiro com a criação de uma comissão da emergência encarregada de liquidar as conseqüências da agressão georgiana", declarou Kokoity ao canal russo Vesti-24.

O líder ossetiano reprovou seu governo por uma distribuição lenta da ajuda humanitária aos habitantes da Ossétia do Sul, enfatizando que um funcionário deve trabalhar para seu povo e não em benefício próprio.

Arte/Folha Online
mapa ossétia

Ontem, Estados Unidos, Alemanha e França pressionaram a Rússia a retirar suas tropas da Geórgia ao mesmo tempo em que o presidente russo, Dmitri Medvedev, anunciou que começará a retirada nesta segunda-feira. Desde a assinatura do acordo de cessar-fogo pela Rússia --que havia sido feita anteriormente pela Geórgia--, a pressão ocidental para a retirada de tropas russa tem aumentado.

Os Estados Unidos e a França já haviam acusado a Rússia de descumprir a trégua, pelo fato de tanques e soldados russos continuarem a rodar livremente pela Geórgia. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, alertou neste domingo que a Rússia enfrentaria "sérias conseqüências" se não começasse a retirada e falou mais cedo com Medvedev pelo telefone.

Em um comunicado divulgado pelo Kremlin, Medvedev anunciou que o começo da retirada das tropas acontecerá nesta segunda, mas não fez menção sobre deixar a Ossétia do Sul, região separatista que está no centro do conflito.

Busca e captura

No sábado, a Geórgia emitiu uma ordem internacional de busca e captura contra o presidente da Ossétia do Sul. Eleito presidente da Ossétia do Sul em dezembro de 2001, Kokoiti acusou Tbilisi de "genocídio" por conta de sua ofensiva militar contra o povo da Ossétia do Sul.

Em 2006, Kokoiti convocou um plebiscito, no qual 99% da população local apoiou a independência da região separatista.

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"Ele deve ir para a prisão ou para [o tribunal de] Haia. Nós não temos o que conversar com ele ou com outros líderes separatistas", disse o ministro de Reintegração georgiano, Temur Yakobashvili, em uma entrevista coletiva.

Os confrontos tiveram início quando a Geórgia, que é aliada dos EUA, enviou tropas para retomar o controle sobre a Ossétia do Sul. Moscou reagiu à ofensiva porque apóia o pequeno território e mantêm forças de paz na região. Entenda as causas do conflito.

A Ossétia do Sul, que pertence oficialmente à Geórgia, autoproclamou sua independência em 1992 depois da desintegração da União Soviética e está determinada a obter seu reconhecimento.

Mikhail Metzel/AP
Moradores da Ossétia do Sul comem em um campo de refugiados na Ossétia do Norte
Moradores da Ossétia do Sul comem em um campo de refugiados na Ossétia do Norte

Vítimas

O Acnur (Alto Comissariado da ONU para os Refugiados) colocou em 158 mil o número de deslocados causados pelo conflito armado entre Rússia e Geórgia pela região separatista georgiana da Ossétia do Sul. A estimativa da agência se baseia em números fornecidos pelos governos dos dois países.

A cifra inclui 98,6 mil deslocados na Geórgia, 30 mil na Ossétia do Sul e outros 30 mil na Rússia, informou a agência da ONU. Na última terça-feira (12), o Acnur informou que o conflito havia deixado quase 100 mil deslocados.

Um comboio do Programa Mundial de Alimentos e do Acnur se dirigia neste domingo à cidade de Gori (centro da Geórgia) e a mais próxima à Ossétia do Sul, levando ajuda para 1.500 pessoas.

Com France Presse

 

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