Pervez Musharraf renuncia à Presidência do Paquistão
da Folha Online
Atualizado às 06h35.
O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, anunciou nesta segunda-feira que renuncia ao cargo, na véspera do início de seu processo de destituição parlamentar impulsionado por partidos opositores no Parlamento.
Sob acusações de violação da Constituição e má gestão da economia, ele afirmou que as acusações contra ele são falsas. "Infelizmente, alguns elementos com interesses ocultos levantaram falsas acusações contra mim", acrescentou.
| AP |
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| Musharraf faz pronunciamento à nação informando que irá renunciar ao cargo |
Em discurso à TV estatal, Musharraf disse que não é hora para mais confrontos e que está renunciando depois de consultar seus conselheiros. "Deixo meu futuro nas mãos do povo", afirmou. "Minha filosofia tem sido: primeiro o Paquistão", disse, antes de acrescentar que sempre trabalhou "de boa fé pelo bem do país".
A renúncia surge no dia seguinte em que a ala do governo de coalizão contrária a Musharraf anunciou que o texto pedindo sua cassação seria apresentado a líderes do grupo para aprovação.
| Arte Folha Online |
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A decisão pelo impeachment foi decidida na semana passada em uma reunião entre as principais legendas do governo. O acordo ocorreu entre o PPP (Partido Popular do Paquistão) --da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, morta em dezembro de 2007-- e da PML-N (Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz), liderado pelo ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif.
Os dois grupos --que chegaram ao governo de coalizão depois de uma vitória esmagadora nas eleições parlamentares realizadas em fevereiro-- afirmavam que teriam condições de mobilizar os dois terços do Parlamento necessários para aprovar o impeachment.
Crise
Defendendo que seu governo tirou o Paquistão de uma de suas piores crises desde a independência em 1947, Musharraf conseguiu se manter no poder por nove anos, após chegar ao poder por meio de um golpe de Estado pacífico em 1999.
Ex-comandante do Exército, Musharraf foi eleito democraticamente no ano passado, antes de declarar um estado de emergência no país, em novembro de 2007. A medida foi decretada sob a alegação de que a Suprema Corte estaria impedindo o combate às atividades terroristas.
Na época, ele demitiu o Ministro da Justiça e quase 60 juízes para evitar que eles declarassem sua reeleição como presidente inválida. Como chefe das Forças Armadas, ele não poderia assumir a presidência como civil.
O estado de emergência decretado por Musharraf foi uma manobra para tentar desmobilizar os críticos em um momento em que o ditador perdia popularidade.
Pela decretação de emergência, ele foi criticado inclusive pelo governo dos Estados Unidos, de quem é aliado. Os EUA têm grande influência no país pois injetam milhões de dólares em sua economia desde que Musharraf se juntou à "guerra contra o terror", lançada pelo governo americano após os atentados de 11 de setembro de 2001.
A disputa política culminou em sua renúncia ao controle das Forças Armadas, em 28 de novembro, o que abriu caminho para sua posse como presidente civil.
No mês seguinte, um atentado em Rawalpindi matou a líder opositora Benazir Bhutto. Um das principais opositoras do regime de emergência, ela liderava as pesquisas à eleição parlamentar.
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