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18/08/2008 - 11h00

Saiba mais sobre Pervez Musharraf

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da Folha Online

Pervez Musharraf nasceu em 11 de agosto de 1943 na cidade indiana de Déli e mudou-se para a paquistanesa Karachi após o processo de independência que separou Índia e Paquistão, em 1947.

O pai de Musharraf, Syed Musharraf Uddin, era diplomata. Serviu nos Serviços Civis em Déli e se aposentou como diretor do Departamento de Política Externa. Por causa da profissão do pai, Musharraf passou parte da infância (1949 a 1956) em Ancara, capital da Turquia, antes de sua família estabelecer-se na capital paquistanesa.

Ele iniciou a carreira militar em 1961 e foi comissionado no regimento da artilharia de elite três anos depois. Frequentou também o Royal College of Defence Studies, em Londres.

Musharraf construiu seu nome com base em sua carreira militar. Foi voluntário e serviu sete anos no grupo de serviço especial "Commandos". Lutou nas duas guerras entre Paquistão e Índia, em 1965 e 1971 e, ao ser promovido a major-general em 1991, assumiu a divisão da Infantaria.

AP
Musharraf faz pronunciamento à nação informando que irá renunciar ao cargo
Musharraf faz pronunciamento à nação informando que irá renunciar ao cargo

Em 1998, foi promovido a general e indicado pelo então primeiro-ministro paquistanês Nawaz Sharif para ocupar o cargo de chefe do Exército.

Na vida pessoal, Musharraf tem a reputação de ser um bon vivant. Ele aprecia boa comida, música paquistanesa tradicional, poesia Urdu e boas roupas. Costuma dançar músicas do Ocidente em festas. Musharraf já enfrentou críticas em casa por ter sido fotografado com dois cães de estimação --cães são considerados impuros no Islamismo.

Em 1999, especialistas apontam que Musharraf teve papel fundamental na invasão paquistanesa da parte indiana da Caxemira, território disputado pelos dois países até hoje. Sob pressão internacional, o primeiro-ministro exigiu o recuo das tropas, ordem que enfureceu os militares.

Em 12 de outubro de 1999, enquanto Musharraf estava fora do país, Sharif o demitiu do cargo e tentou evitar que o avião que o levava de volta pousasse no aeroporto de Karachi. As Forças Armadas, que estavam do lado de Musharraf, tomaram controle do aeroporto e de outras instalações do governo e depuseram Sharif, pavimentando o caminho para a ditadura de Musharraf.

Logo após o golpe, Musharraf consolidou seu poder ao obrigar todos os juízes do Paquistão a fazer um juramento de lealdades aos militares.

Com os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos e a subseqüente invasão americana ao vizinho Afeganistão, Musharraf cultivou laços próximos com o governo americano. Ele queria aproveitar as forças americanas para extinguir as raízes do movimento islâmico radical na fronteira dos dois países.

Ao longo de seu mandato, Musharraf sobreviveu a várias tentativas de assassinato. Ele restituiu a Constituição em 2002. Então, a Suprema Corte marcou novas eleições para outubro de 2002, mas Musharraf se adiantou e marcou um plebiscito para 30 de abril. Com o resultado favorável, ele garantiu mais cinco anos de mandato como presidente.

Em 2007, para permanecer no poder, Musharraf destituiu o presidente do Supremo Tribunal, Iftikhar Chaudhry, o que dá início a um movimento dos advogados contra o regime militar. O magistrado acaba restituído meses depois, e a oposição cresce. Musharraf impõe um estado de exceção e substitui toda a cúpula do Supremo Tribunal.

Pressionado, Musharraf, que dizia considerar o uniforme militar sua segunda pele, renuncia ao cargo de chefe do Exército. Em dezembro de 2007, a líder oposicionista Benazir Bhutto é morta em um atentado suicida, o que agrava a crise política.

Como resposta, o líder declarou estado de emergência e, citando ameaças terroristas, suspendeu a Constituição, demitiu o chefe de Justiça, prendeu líderes da oposição e impôs restrições à imprensa. O golpe deu a ele outros cinco anos no poder quando restituiu a Constituição com emendas que o favoreciam.

Em fevereiro passado, os opositores saíram vencedores das eleições parlamentares e, na semana passada, eles anunciaram a reunião de acusações contra Musharraf e a intenção de dar início a um processo de impeachment.

Depois de enfrentar dias de especulação, Musharraf anunciou sua renúncia ao cargo nesta segunda-feira. A saída deve ser seguida pelo início de seu processo de destituição parlamentar impulsionado por partidos opositores no Parlamento.

Sob acusações de violação da Constituição e má gestão da economia, ele afirmou que as acusações contra ele são falsas. "Infelizmente, alguns elementos com interesses ocultos levantaram falsas acusações contra mim", acrescentou.

 

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