Mundo
18/08/2008 - 12h41

Musharraf renuncia à Presidência do Paquistão; senador assume cargo

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da Folha Online

O ditador Pervez Musharraf anunciou nesta segunda-feira sua renúncia à Presidência do Paquistão para evitar um processo de impeachment. De acordo com a Constituição, agora, o presidente do Senado, Mohammedmian Soomro, irá assumir o cargo interinamente por 30 dias, que é o prazo máximo para a escolha de um novo presidente.

O novo presidente será escolhido por um colégio eleitoral formado por integrantes de ambas as Casas e das quatro assembléias provinciais.

AP
Musharraf faz pronunciamento à nação informando que irá renunciar ao cargo
Musharraf faz pronunciamento à nação informando que irá renunciar ao cargo

Tradicionalmente, no Paquistão, o primeiro-ministro reúne mais poderes que o presidente, no entanto, sob a liderança de Musharraf, o cenário mudou, e ele deteve poderes para desfazer o Parlamento e tomar decisões nos setores militar e judiciário. Os opositores de Musharraf já anunciaram que pretendem devolver à Presidência seu caráter meramente cerimonial.

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Musharraf anunciou sua renúncia em pronunciamento na TV um dia depois de o governo de coalizão contrário a ele dizer que o texto acusatório que pediria a cassação seria entregue à liderança para aprovação. Com suas acusações de violação da Constituição e má gestão da economia, os opositores pretendiam iniciar um processo de impeachment --e Musharraf não tinha maioria para evitar a cassação.

"Infelizmente, alguns elementos com interesses ocultos levantaram falsas acusações contra mim", afirmou Musharraf no pronunciamento. "Deixo meu futuro nas mãos do povo."

Arte Folha Online
mapa da região do Paquistão

"Minha filosofia tem sido: primeiro o Paquistão", disse, antes de acrescentar que sempre trabalhou "de boa fé pelo bem do país".

O governo de coalizão é formado pelos dois grupos que saíram vitoriosos das eleições de fevereiro passado --o PPP (Partido Popular do Paquistão), da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, morta em dezembro de 2007; e a PML-N (Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz), liderada pelo ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif.

EUA

Poucas horas depois do anúncio da renúncia de Musharraf, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, emitiu um comunicado em que elogia o compromisso de Musharraf na luta contra o terrorismo e anunciou que o país continuará colaborando com o Paquistão.

Os EUA têm grande influência no Paquistão porque injetam milhões de dólares na economia desde que Musharraf se juntou à "guerra contra o terror", lançada após os atentados do dia 11 de setembro de 2001.

"Continuaremos trabalhando com o governo paquistanês e com seus líderes políticos e pedimos que redobrem seus esforços para se dedicar ao futuro do Paquistão e suas necessidades mais urgentes, entre elas deter o crescimento do extremismo."

Crise

Musharraf assumiu a Presidência do Paquistão com o golpe de Estado pacífico, em 1999. No ano passado, o ex-comandante do Exército, foi reeleito democraticamente, sob acusações de fraude. Na seqüência, declarou estado de emergência e demitiu o Ministro da Justiça e quase 60 juízes para evitar que sua reeleição fosse considerada inválida.

Em novembro de 2007, Musharraf abandonou a chefia das Forças Armadas e, como civil, iniciou seu segundo mandato presidencial com duração de cinco anos.

No mês seguinte, a crise política atingiu um pico com o atentado que matou a líder opositora Benazir Bhutto, que liderava as pesquisas à eleição parlamentar. Nas eleições, ocorridas em fevereiro passado, a oposição saiu vitoriosa. Na semana passada, o governo de coalizão que é contrário a Musharraf anunciou ter reunido denúncias suficientes para iniciar um processo de impeachment contra ele.

Musharraf enfrentou muitas especulações antes de renunciar.

Com agências internacionais

 

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