Mundo
18/08/2008 - 17h27

Ex-premiê ameaça processar Musharraf mesmo após renúncia

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da Folha Online

O porta-voz do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif afirmou nesta segunda-feira que "os crimes que foram cometidos contra a nação, contra o Judiciário, contra a democracia e contra as leis do país não podem ser perdoados ou esquecidos por nenhum partido nem ninguém". Rival de Musharraf desde que foi derrubado por ele em um golpe de Estado, em 1999, Sharif já jurou levar o ex-ditador a julgamento por traição --crime cuja sentença pode chegar à morte.

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AP
Musharraf faz pronunciamento à nação informando que irá renunciar ao cargo
Musharraf faz pronunciamento à nação informando que irá renunciar ao cargo

Na ocasião em que foi derrubado, Sharif foi condenado à prisão perpétua. Ele acabou exilado na Arábia Saudita, em troca de perdão presidencial. Em 2007, graças a uma decisão judicial, ele obteve o direito de retornar ao Paquistão.

Nos últimos dias, os aliados e simpatizantes e Musharraf insinuaram que ele ainda não havia renunciado por querer garantias de que não seria processado nem exilado.

Talat Masood, antigo general do Exército e analista político, afirmou que Musharraf deve deixar o país "por causa das ameaças à sua segurança". Entre 2002 e 2003, o ex-ditador sobreviveu a tentativas de homicídio.

Arte Folha Online
mapa da região do Paquistão

Musharraf anunciou sua renúncia em pronunciamento na TV um dia depois de o governo de coalizão contrário a ele dizer que o texto acusatório que pediria a cassação seria entregue à liderança para aprovação.

Com suas acusações de violação da Constituição e má gestão da economia, os opositores pretendiam iniciar um processo de impeachment --e Musharraf não tinha maioria para evitar a cassação.

Trâmite

De acordo com a rede de TV americana CNN, Musharraf entregou uma carta comunicando sua renúncia ao Parlamento logo depois do pronunciamento, e ela foi prontamente aceita.

O cargo, agora, será ocupado interinamente pelo presidente do Senado, Mohammedmian Soomro, por 30 dias. Esse é o prazo máximo para que um colégio eleitoral formado pelas duas Casas e pelas quatro assembléias provinciais do país escolham um novo presidente.

Tradicionalmente, no Paquistão, o primeiro-ministro reúne mais poderes que o presidente, no entanto, sob a liderança de Musharraf, o cenário mudou, e ele deteve poderes para desfazer o Parlamento e tomar decisões nos setores militar e judiciário. Os opositores de Musharraf já anunciaram que pretendem devolver à Presidência seu caráter meramente cerimonial.

Pronunciamento

No pronunciamento em que anunciou a renúncia, Musharraf não deu detalhes sobre seus planos para o futuro e disse que irá deixá-lo "nas mãos do povo". Ele reiterou que nega as acusações feitas pela oposição. "Infelizmente, alguns elementos com interesses ocultos levantaram falsas acusações contra mim."

"Minha filosofia tem sido: primeiro o Paquistão", disse, antes de acrescentar que sempre trabalhou "de boa fé pelo bem do país". "Deus abençoe o Paquistão, Deus abençoe todos vocês, vida longa ao Paquistão, sempre", afirmou no encerramento.

EUA

Poucas horas depois do anúncio da renúncia de Musharraf, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, emitiu um comunicado em que elogia o compromisso de Musharraf na luta contra o terrorismo e anunciou que o país continuará colaborando com o Paquistão.

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Os EUA têm grande influência no Paquistão porque injetam milhões de dólares na economia desde que Musharraf se juntou à 'guerra contra o terror', lançada após os atentados do dia 11 de setembro de 2001.

"Continuaremos trabalhando com o governo paquistanês e com seus líderes políticos e pedimos que redobrem seus esforços para se dedicar ao futuro do Paquistão e suas necessidades mais urgentes, entre elas deter o crescimento do extremismo."

Crise

Musharraf assumiu a Presidência do Paquistão com o golpe de Estado pacífico, em 1999. No ano passado, o ex-comandante do Exército, foi reeleito democraticamente, sob acusações de fraude. Na seqüência, declarou estado de emergência e demitiu o Ministro da Justiça e quase 60 juízes para evitar que sua reeleição fosse considerada inválida.

Em novembro de 2007, Musharraf abandonou a chefia das Forças Armadas e, como civil, iniciou seu segundo mandato presidencial com duração de cinco anos.

No mês seguinte, a crise política atingiu um pico com o atentado que matou a líder opositora Benazir Bhutto, que liderava as pesquisas à eleição parlamentar. Nas eleições, ocorridas em fevereiro passado, a oposição saiu vitoriosa. Na semana passada, o governo de coalizão que é contrário a Musharraf anunciou ter reunido denúncias suficientes para iniciar um processo de impeachment contra ele.

Musharraf enfrentou muitas especulações antes de renunciar.

Com agências internacionais

 

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