Mundo
18/08/2008 - 23h26

Ex-assessora de Obama compara democrata a Sergio Vieira de Mello

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CAROLINA MONTENEGRO
colaboração para a Folha Online

"Obama tem muito em comum com Sergio. Os dois têm terra sob as unhas", afirmou a irlandesa Samantha Power, durante o lançamento de seu livro "O Homem Que Queria Salvar o Mundo" ("Chasing the Flame", título original em inglês), nesta segunda-feira, em São Paulo.

A biografia retrata a vida do diplomata brasileiro Sergio Vieira de Mello, morto em um atentado terrorista em 19 de agosto de 2003, em Bagdá, no Iraque. Ele era alto comissário das Organizações das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Até março deste ano, Power foi a principal assessora de política externa do candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama. Afastada da campanha após chamar Hillary Clinton de monstro em um comentário "off the record", é atualmente cotada psara se tornar futura secretária de Estado, se Obama chegar à Casa Branca.

Em conversa com o público, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, Power traçou paralelos entre as lideranças exercidas por Vieira de Mello e de Obama. Para a autora, ambos priorizam a diplomacia, mas conciliam discurso com uma ação pragmática.

"Sérgio disse uma vez que o medo é um mau conselheiro e algum tempo depois Obama afirmou em um discurso que o medo dá maus conselhos. Os dois tinham pontos de vista muito parecidos sobre como o medo pode afetar o julgamento", afirmou Power.

Mello rompeu paradigmas dentro da ONU ao defender o diálogo com os adversários. Foi o primeiro dirigente da organização a conversar pessoalmente com líderes da guerrilha socialista do Khmer Vermelho, que governou o Camboja de 1975 a 1979 e comandou o massacre de 1,7 milhão de pessoas. "Sérgio queria entender o mal e não perdoá-lo. Ou vencê-lo, como o presidente George W. Bush prega", afirmou Power.

Um diplomata na guerra

O livro também narra a trajetória do brasileiro em missões da ONU no Líbano, Bósnia, Ruanda, Kosovo, Timor Leste e, finalmente, Iraque. "Ninguém esteve em todos este lugares violentos durante tantas guerras, a experiência de Sérgio é única", acrescenta a autora.

Samantha Power é professora na Universidade Harvard, nos EUA, e vencedora do prêmio Pulitzer em 2003, por um livro sobre a resposta dos governos americanos aos principais genocídios do século 20.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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