Mundo
19/08/2008 - 13h59

Coalizão paquistanesa adia decisão sobre juízes destituídos

Publicidade

da Efe, em Islamabad

Os integrantes da coalizão governamental do Paquistão se reuniram nesta terça-feira para analisar a situação política do país após a destituição do ditador Pervez Musharraf, que foi anunciada ontem (18). O grupo adiou a decisão sobre o retorno dos juízes destituídos pelo ex-presidente em 2007.

Em comunicado, o PPP (Partido Popular do Paquistão), que controla o governo, afirmou que na reunião "foram discutidos assuntos relacionados com o fortalecimento da democracia e da estabilidade política" após a saída de Musharraf, mas não anunciou nenhuma decisão.

Efe
O ditador Pervez Musharraf anunciou o afastamento da Presidência do Paquistão
O ditador Pervez Musharraf anunciou o afastamento da Presidência do Paquistão

O governo de coalizão --formado por PPP e PML-N (Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz)-- havia se comprometido a readmitir "imediatamente" os magistrados afastados, mas adiou a decisão para a próxima reunião, que acontecerá em três dias. Em nota, o PPP argumenta que os partidos minoritários pediram mais tempo para discutir com as bases.

O assunto desencadeou a ruptura em maio passado, quando os ministros da PML-N --do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif-- abandonaram os seus cargos para pressionar o PPP a readmitir imediatamente os juízes. O porta-voz da PML-N afirmou à agência Efe que o partido "quer que os juízes retornem ao cargo", mas negou que tenha sido lançado um ultimato.

Outro ponto discutido pela coalizão foi o futuro de Musharraf, contra quem o partido de Sharif quer que seja aberto processo criminal --se for condenado por traição, como querem os seus opositores, Musharraf poderá receber pena de morte--; e sobre a nomeação do sucessor, cargo que tanto o PPP quanto o PML-N pretendem obter.

Conforme a mídia paquistanesa sugere, Musharraf pode deixar o país por questões de segurança --ele é odiado pelos movimentos extremistas islâmicos e impopular entre os paquistaneses e, nos últimos anos, sobreviveu a diversas tentativas de assassinato.

Musharraf anunciou sua renúncia ao cargo ontem, em um pronunciamento de uma hora, na TV. Ele admitiu querer evitar um impeachment. "Deixo meu futuro nas mãos do povo", disse.

Atentado

Essa decisão foi acompanhada de ondas de comemoração, mas também de violência. Nesta terça-feira, um homem-bomba atacou a sala de emergências de um hospital no noroeste do Paquistão e provocou a morte de pelo menos 23 pessoas, informou a polícia.

O atentado ocorreu em um hospital da cidade de Dera Ismail Khan, próxima às zonas tribais onde o Exército combate os islamitas radicais aliados à Al Qaeda e aos talebans afegãos, e onde a violência é freqüente há mais de um ano. "Há 23 mortos confirmados e até 20 feridos. Encontramos as pernas do suposto agressor suicida", disse o chefe da Polícia da província, Malik Navid Khan, à TV Geo.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca