Atentado na Argélia é condenado por EUA e UE; mortos somam 43
da Folha Online
O atentado nesta terça-feira contra uma escola de polícia na Argélia, que matou 43 pessoas e deixou 45 feridas, foi duramente condenado pelos governos dos Estados Unidos e da União Européia.
O ataque foi realizado por um homem-bomba que lançou seu carro contra um grupo de pessoas. Até o final da tarde de hoje, nenhum grupo havia assumido a autoria pela explosão. Nos últimos dois anos, o braço da Al Qaeda no país foi quem se responsabilizou por uma série de atentados na região.
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Segundo comunicado da agência oficial de notícias APS, o atentado aconteceu por volta das 7h30 (3h30 de Brasília) e teve como alvo uma escola de gendarmaria em Les Issers, a 55 quilômetros da capital Argel. De acordo com o ministério, dos 45 feridos, 13 eram policiais. No balanço anterior, o total de pessoas feridas era de 38.
Repercussão
O porta-voz do Departamento de EUA, Robert Wood, afirmou à imprensa que os EUA condenam o ataque, que chamaram de "outro triste exemplo dos atos de extremistas".
A União Européia declarou que "condena fortemente atos terroristas que tiram tantas vidas". Em comunicado, afirmou que "o povo argelino é novamente vítima da violência terrorista.
O presidente francês Nicolas Sarkozy, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o premiê italiano, Silvio Berlusconi, também declararam seu apoio ao presidente da Argélia e expressaram seus pêsames às famílias das vítimas.
Testemunhas
Testemunhas que estavam no local contaram à agência Associated Press que a explosão criou uma cratera de 1 metro de profundidade na rua, arrancou partes do teto da academia e danificou a maior parte de sua fachada e da dos prédios vizinhos.
Um segurança da escola disse que o ataque foi realizado por um homem-bomba que jogou seu carro contra um grupo de candidatos ao serviço militar que fazia fila para se registrar na ademia. A maioria dos mortos era de jovens com idade entre 18 e 20 anos.
Corpos cobertos com lençóis coloridos jaziam no chão, em meio aos escombros da explosão. A carcaça de um carro destruído, sem portas, também podia ser vista no local.
Segundo testemunhas, as estradas dentro de três quilômetros de distância de Les Issers estavam bloqueadas e as redes de telefone celular não funcionavam na área. A escola fica na estrada nacional RN12, que foi fechada ao tráfego para permitir que os serviços médicos socorram os feridos.
Mohammed, dono de uma loja próxima à academia de polícia, disse à Associated Press que acordou com a explosão. "Foi um barulho muito alto, minha janela tremeu". Outra testemunha, que chegou ao local junto com as equipes de resgate, afirmou que a área "parecia um pesadelo".
"Havia corpos espalhados por toda a rua, alguns estavam completamente destruídos, não dava nem para reconhecer seus rostos", disse um homem, pedindo para não ter seu nome citado. Segundo ele, várias vítimas eram pessoas que estavam dirigindo seus carros na rua em frente à academia.
Aumento da violência
A violência cresceu na Argélia desde 2006, quando o último grande grupo extremista, conhecido pela sigla francesa GSPC se juntou à rede terrorista Al Qaeda [de Osama bin Laden] no norte da África. Veja cronologia de atentados na Argélia
O atentado desta terça acontece também dois dias depois de uma emboscada realizada por grupos islâmicos armados contra um comboio das forças de segurança em Skikda (leste), que deixou 12 mortos --oito policiais, três soldados e um civil--, segundo a imprensa argelina.
O grupo afiliado à Al Qaeda reivindicou vários ataques no passado, incluindo as explosões realizadas nos escritórios da ONU e em uma corte judicial em Argel, em dezembro de 2007, que mataram 41 pessoas --17 delas membros da equipe das Nações Unidas.
Desde 1992, os confrontos entre forças do país e militantes muçulmanos mataram 200 mil pessoas. A insurgência extremista se fortaleceu quando, naquele ano, o Exército cancelou o segundo turno de eleições parlamentares, que seriam vencidas com folga por um partido islâmico. Mas ataques suicidas nunca tinham ocorrido no país, antes dos grupos militantes se ligarem à Al Qaeda.
Com Reuters e Associated Press
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