Mundo
19/08/2008 - 19h07

Confrontos marcam greve geral contra Morales na Bolívia

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da Reuters, em La Paz

Centenas de manifestantes entraram em confronto com simpatizantes do presidente boliviano Evo Morales nesta terça-feira no departamento (Estado) de Santa Cruz. Pedras e pedaços de pau foram usados na briga. Cinco pessoas teriam sido feridas.

A oposição a Morales havia convocado uma greve geral por maiores recursos dos impostos gerados pela exploração energética e maior autonomia regional.

Santa Cruz, o mais rico departamento boliviano e foco da oposição à Morales, foi palco dos mais violentos confrontos. A polícia teve de usar gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes. O protesto acontece nove dias após o referendo que manteve Morales na presidência com 67% dos votos. O referendo, no entanto, também manteve os governadores oposicionistas nos cargos, aumentando a crise política no país.

Santa Cruz é onde se concentram líderes cívicos e empresariais que se opõem fortemente às reformas socialistas propostas por Morales, que incluem reforma agrária e reforma na constituição para beneficiar a maioria indígena da população.

Manifestantes contra o governo, armados com bastões de beisebol e escudos, lutaram com simpatizantes de Morales em um bairro pobre de Santa Cruz de la Sierra, reduto de apoio ao líder boliviano.

A oposição também organizou greves nos departamentos de Beni, Pando, Tarija e Chuquiasca, que juntas com Santa Cruz concentram 50% do PIB (Produto Interno Bruto) da Bolívia.

A imprensa local noticiou maior participação nas áreas urbanas. Nas cidades, o comércio fechou, e o transporte público parou de funcionar, segundo imagens das redes de TV privadas.

Mais recursos

Os governadores destes departamentos exigem que Morales pare de retirar recursos da exploração de gás natural que antes iam para os departamentos e agora são destinadas a um fundo nacional de aposentadoria.

O presidente argumenta que os departamentos podem arcar com os custos de ajudar os programas anti-pobreza pois seus cofres estão cheios após ele ter aumentado impostos das empresas que exploram os recursos energéticos em 2006.

"Nossas regiões precisam recuperar esses recursos", disse à imprensa em Santa Cruz um dos líderes do protesto, Branko Marinkovic, antes de chamar Morales de "ditador".

Após o recente e fracassado encontro com os governadores da oposição, Morales os acusou "de só quererem dinheiro", enquanto os adversários afirmam que o presidente quer sufocá-los financeiramente.

Primeiro presidente indígena do país, um dos mais pobres das Américas, Morales é apoiado basicamente pelos índios Quéchua e Aymará, que formam a maioria da população e vivem principalmente na região andina no oeste do país.

Mas seus rivais políticos dos departamentos no leste do país, mais ricas, e onde estão as vastas reservas de gás natural e regiões agrícolas desenvolvidas, se opõem às suas políticas e temem que seu objetivo seja transformar a Bolívia num Estado socialista como Cuba.

Javier Moreno, 30, um dos manifestantes que bloquearam ruas em Santa Cruz, acusa Morales de inflamar as tensões políticas no país. "Ele (Morales) provocou essa luta de poder com os departamentos. Há uma parte da Bolívia que apenas aproveita os recursos naturais e não quer trabalhar", afirmou.

 

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