Mundo
21/08/2008 - 17h16

Reino Unido deve liberar documentos provando tortura em Guantánamo

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da Efe, em Londres

Um dos prisioneiros da base americana de Guantánamo ganhou nesta quinta-feira uma batalha legal, quando o Tribunal Superior de Londres decidiu que o governo britânico deve divulgar informações secretas que o provariam que ele sofreu tortura.

O etíope Binyam Mohamed, 30, residente do Reino Unido, enfrenta um julgamento militar na base americana em Cuba, onde estão presos suspeitos de envolvimento com o terror e, se considerado culpado por crimes de terrorismo, pode ser condenado à pena de morte.

Mohamed, preso há quatro anos em Guantánamo acusado de conspirar com a rede terrorista Al Qaeda para cometer atentados contra civis, argumenta que os documentos do governo britânico confirmam sua alegação de que as provas apresentadas contra ele foram obtidas mediante tortura.

Dois juízes do Tribunal Superior determinaram hoje que o Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido deve "divulgar em juízo" informações que "não só são necessárias, são essenciais" para a defesa do suspeito.

Richard Stein, um dos advogados de defesa do etíope, afirmou que "a decisão judicial reflete a repugnância de uma sociedade decente frente aos métodos empregados pelo governo dos Estados Unidos em sua suposta guerra ao terrorismo".

Já o Foreign Office emitiu um comunicado onde sinaliza que "estudará com muito cuidado as implicações" da decisão judicial, argumentando que não liberou as informações por "motivos de segurança nacional".

Vício em drogas

A representante da Anistia Internacional Sara MacNeice celebrou a decisão do tribunal e observou que o governo britânico deve fornecer a informação necessária à defesa de Binyam Mohamed.

O etíope chegou no Reino Unido em 1994 como refugiado e trabalhou como concierge até 2001, quando foi ao Paquistão e ao Afeganistão para tentar se curar de um vício em drogas, segundo seus advogados.

Mohamed foi detido em 2002 no Paquistão e, conforme alega, foi levado para um cárcere no Marrocos, onde afirma que ficou 18 meses e sofreu torturas. Em 2004, foi levado ao Afeganistão e de lá para Guantánamo, onde é atualmente o único preso com direito a retornar para o Reino Unido.

 

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