Famílias de vítimas do acidente se irritam ante falta de informação
da Folha Online
Os familiares dos 153 mortos no acidente aéreo ocorrido na última quarta-feira (20) no aeroporto de Barajas, em Madri (Espanha), se impacientam por não receber explicações satisfatórias sobre o sucedido, segundo a imprensa espanhola. A direção da companhia aérea Spanair realizou nesta sexta-feira a segunda reunião com as famílias das vítimas.
No final do dia, eles vão decidir sobre a criação de uma associação de vítimas.
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No hotel próximo ao aeroporto, onde estão hospedadas as famílias das vítimas que não vivem em Madri e onde as reuniões ocorrem, "o tom dos protestos está aumentando", declarou Magali Baton, mãe de um menino morto no acidente, à agência France Presse, por telefone. Seu filho Ethan, 4, e o ex-marido morreram no acidente.
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"Queremos que sejam apontados os culpados, mas os responsáveis não dizem grande coisa porque não sabem muito", afirmou. Na sala onde se reúnem as famílias, havia quem "gritasse" e até alguns casos de agressão, segundo a francesa.
Os familiares das vítimas se reuniram pela manhã com a vice-presidente do governo, María Teresa Fernández de la Vega, e à tarde estiveram com dirigentes da Spanair.
Na quarta-feira (20), um avião da Spanair caiu durante a decolagem no aeroporto de Barajas, em Madri, por causas ainda desconhecidas, com 172 pessoas a bordo.
Desde então, as famílias das vítimas chegam a Madri para identificar os corpos e levá-los aos seus locais de origem. A francesa chegou na quinta-feira de manhã e espera que confirmem a identidade do seu filho.
Identificação
Os legistas já conseguiram identificar 50 das 153 vítimas do acidente, de acordo com informações divulgadas pelo prefeito de Madri, Alberto Ruiz-Gallardón. As outras 103 vítimas serão identificadas através de impressões digitais ou testes de DNA.
Ruiz-Gallardón afirmou também que o funeral das vítimas do acidente vai ser no dia 1º de setembro, na Catedral da Almudena, oficiado pelo cardeal arcebispo de Madri, Antonio María Rouco.
Segundo o jornal "El País", 30 dos corpos já identificados foram entregues a familiares para serem enterrados. O jornal informou também que as autoridades conseguiram obter as impressões digitais de 23 das 103 vítimas que ainda não foram identificadas. As outras 80 deverão ser submetidas a exames de DNA, o que prolongará o trabalho em cerca de 48 horas.
Quanto às 19 pessoas feridas no acidente aéreo, o boletim conjunto divulgado na manhã desta sexta indica que existem três muito graves, uma grave, quatro estáveis dentro da gravidade, duas graves com evolução propícia, oito em observação com evolução propícia e uma com ferimentos leves.
Falhas
O diretor geral do departamento de Aviação Civil espanhol, Manuel Bautista, disse que uma sucessão de falhas provocou a queda do vôo JK 5022 da Spanair, que culminou na morte de 153 pessoas e deixou 19 feridos.
Para Bautista, entrevistado pelo jornal "El País", houve mais de uma falha para que a aeronave tenha caído, logo após decolar no aeroporto de Barajas, a 14 km da capital espanhola. "Não estou tão seguro de que falhou somente o motor."
"Uma falha no motor não é a causa de um acidente. Junto a outros motivos pode ser que tenha causado a queda, e temos de determinar o conjunto de causas que ocorreram", disse, sem detalhar quais poderiam ter sido as outras causas.
Quase duas horas antes do acidente, o "superaquecimento excessivo de uma válvula de ar" fez com que o avião ficasse na pista, sem levantar vôo. O vôo deveria ter saído por volta das 13h, porém voltou ao portão de embarque depois que a tripulação percebeu o superaquecimento.
O subdiretor-geral da Spanair, Javier Mendoza, confirmou nesta quinta-feira em coletiva de imprensa que o comandante do vôo JK 5022 agiu "de acordo com os padrões e procedimentos registrados nos manuais do avião". Somente depois de isolado o problema, o piloto foi autorizado a voltar para a pista de decolagem.
Segundo o site do "El País", o vídeo do acidente não mostra nenhum incêndio ou ruído de explosão antes da queda da aeronave. "O vídeo gravado pela Aena [agência que controla aeroportos e o tráfego aéreo] da decolagem do vôo (...) revela que a aeronave tocou a pista --após uma possível perda de potência-- e, depois de voar só alguns metros, caiu para a direita", informa o jornal.
Um dia após o acidente, uma comissão formada por sete técnicos começou o trabalho de investigação, cujas primeiras conclusões só deverão aparecer após algumas semanas "ou até meses".
Hoje, o vôo da Spanair das 13h Madri-Las Palmas, que havia operado até agora sob o código JK 5022, mudou nesta sexta de "nome" e passa a ser o JK 5024. Habitualmente, as companhias mantêm os códigos atribuídos para cada um de seus vôos, embora às vezes possa haver mudanças por motivos operacionais ou de política da empresa.
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Com France Presse e Efe
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