Mundo
22/08/2008 - 22h25

Investigação do acidente em Madri deve demorar um mês, diz promotor

Publicidade

da Folha Online

O procurador encarregado de investigar o acidente aéreo ocorrido nesta quarta-feira (20) em Madri, Emilio Valerio, afirmou nesta sexta-feira que seria "muito traumático para os familiares das vítimas" se a investigação se prolongasse muito. Segundo Valerio, o processo deve demorar um mês.

O avião da companhia Spanair com 172 pessoas a bordo caiu ao decolar no aeroporto de Barajas, na capital espanhola. No acidente, 153 pessoas morreram e outras 19 ficaram feridas. Entre os mortos, 50 corpos foram identificados até o momento.

Maior acidente na Espanha matou 587
2ª maior do país, Spanair enfrenta crise
Veja outros acidentes em Barajas

Em declarações à agência Efe, Valerio afirmou que a Procuradoria vai procurar fazer com que os trâmites jurídicos "superem o mais rápido possível as desvantagens técnicas" da investigação do acidente aéreo.

O procurador ressaltou que a investigação técnica do aparelho, assim como das circunstâncias em que aconteceu o acidente, "são especialmente determinantes".

Arte/Folha Online

Essa investigação recai sobre aviação civil, dependente do Ministério do Desenvolvimento, e se centra na análise das caixas-pretas da aeronave e na avaliação de outros dados técnicos, segundo explicou o representante do Ministério Público.

Segundo o espanhol, a Guarda Civil e Polícia Judiciária realizam uma "investigação complementar" em que estão incluídas declarações das testemunhas, especialmente dos sobreviventes do acidente, assim como dos trabalhadores da pista de decolagem e dos mecânicos.

"Trata-se de averiguar como aconteceu o acidente e em que condições caiu o avião", disse o procurador, que destacou que este processo se prolongará durante "meses, pelo menos" embora, segundo ele, "seja muito difícil estimar" prazos.

Investigação

Um vídeo gravado pelos serviços de segurança do aeroporto espanhol mostra que o piloto usou o máximo que podia da pista, mas não atingiu a altura normal, segundo o presidente do governo regional das Canárias, Paulino Rivero, citando o presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, que viu a gravação da decolagem.

Depois de se reunir com Zapatero no Palácio de la Moncloa, Rivero esclareceu que não havia visto (o vídeo), "mas o presidente sim, e parece que na segunda tentativa de decolagem o piloto usa toda a extensão da pista e se observa que o avião não atinge a altura habitual".

Aparentemente, o avião não pegou fogo no ar como fora dito a princípio, mas explodiu segundos após bater contra a pista.

Segundo o site do jornal "El País", o vídeo do acidente não mostra nenhum incêndio ou ruído de explosão antes da queda da aeronave. "O vídeo gravado pela Aena [agência que controla aeroportos e o tráfego aéreo] da decolagem do vôo (...) revela que a aeronave tocou a pista --após uma possível perda de potência-- e, depois de voar só alguns metros, caiu para a direita", informa o jornal.

Os escombros do MD-82 acidentado, que ficaram espalhados por um raio de 200 metros, já foram totalmente retirados da pista em que ocorreu o acidente.

Também se apagou de todas as telas do aeroporto de Barajas o código do vôo, JK5022, que a partir de hoje passa a ser JK5024.

Falhas

O diretor geral do departamento de Aviação Civil espanhol, Manuel Bautista, disse que uma sucessão de falhas provocou a queda do vôo JK 5022 da Spanair, que culminou na morte de 153 pessoas e deixou 19 feridos.

Para Bautista, entrevistado pelo "El País", houve mais de uma falha para que a aeronave tenha caído, logo após decolar. "Não estou tão seguro de que falhou somente o motor."

"Uma falha no motor não é a causa de um acidente. Junto a outros motivos pode ser que tenha causado a queda, e temos de determinar o conjunto de causas que ocorreram", disse, sem detalhar quais poderiam ter sido as outras causas.

Quase duas horas antes do acidente, o "superaquecimento excessivo de uma válvula de ar" fez com que o avião ficasse na pista, sem levantar vôo. O vôo deveria ter saído por volta das 13h, porém voltou ao portão de embarque depois que a tripulação percebeu o superaquecimento.

Com Efe e France Presse

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca