Mundo
23/08/2008 - 16h00

Sobrevivente de acidente aéreo em Madri diz que "asa abaixou" antes da queda

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da Associated Press, em Madri

Uma mulher que sobreviveu ao acidente com o vôo 5022 da Spanair na última quarta-feira, em Madri, disse neste sábado que a aeronave teve dificuldades para ganhar altitude e uma das asas baixou fortemente antes que o avião começasse a balançar e cair.

A espanhola, nascida na Colômbia, Ligia Palomino Riveros, 42, também disse que após um problema técnico ter feito o piloto abortar uma primeira tentativa de decolagem, ela pensou que a companhia iria trocar os passageiros de avião.

Segundo Riveros, dois ônibus foram trazidos para perto do MD-82 da Spanair que iria para as Ilhas Canárias, e ela imaginou que os ônibus iriam levar os passageiros para outro avião, o que não aconteceu.

Apenas 19 pessoas sobreviveram ao acidente no aeroporto de Barajas, em Madri, que matou 153 pessoas. Riveros, que teve uma perna e uma costela quebradas, viajava com seu marido José Flores, que também sobreviveu, e com uma irmã, que morreu.

Cerca de 50 corpos já foram identificados. Muitos foram carbonizados tornando impossível a identificação, e os legistas estão usando técnicas de DNA para identificá-los. Familiares foram neste sábado a um cemitério de Madri, onde o está sendo realizado o trabalho científico, para identificar seus entes queridos e levá-los para casa.

Riveros soava cansada e fraca enquanto falava em um entrevista por telefone de seu leito hospitalar. Ela disse não ter ouvido nada que sugerisse que um motor do avião havia explodido, como afirmaram alguns órgãos de imprensa.

O avião caiu, pegou fogo e foi quase totalmente destruído na segunda tentativa de decolagem, após a Spanair ter feito uma manutenção após o que a companhia chamou de "um pequeno problema" em um medidor de temperatura perto da cabine de comando. O problema foi detectado quando a aeronave taxiava, e o avião voltou para o portão de embarque.

Enquanto o avião decolava pela segunda vez, Riveros se lembra de que "ele se movia muito lentamente", mas conseguiu alçar vôo. "Mas então ele fez uma curva, quando a asa abaixou abruptamente", ela disse. "Nós ainda estávamos muito baixo, bem perto do solo".

Quando o avião subia, começou "a balançar de um lado para o outro", afirmou, dizendo que foi a última coisa de que ela se lembra antes da queda.

Sendo ela mesma uma para-médica, Riveros disse que perdeu a consciência, mas acordou no chão ao ouvir uma explosão. Ela estava tão desorientada que pensou que um homem morto que estava por perto era seu marido. Ela gritou "acorda, acorda, acorda!" para ele antes que percebesse que era outra pessoa, graças ao seu relógio e camiseta.

Ela se lembra de bombeiros e equipes de resgate procurando entre os destroços, dando instruções e gritando quando achavam alguém vivo. "E então o vento mudou de direção e eu senti que a fumaça estava me queimando", afirmou.

Investigação

A polícia e os investigadores do acidente interrogaram o mecânico que fez a manutenção e liberou a aeronave para decolagem.

Jornais espanhóis noticiaram que após o problema no controle de temperatura foi comunicado aos passageiros, alguns disseram que queriam sair do avião, mas a tripulação não os deixou sair. Riveros disse no entanto que, exceto por um homem aparentemente nervoso com o atraso, ela não percebeu pessoas ansiosas para desembarcar.

A Spanair descreveu o defeito como uma pequena falha que foi resolvida desligando o aparelho, pois não era uma peça essencial do equipamento. A companhia diz que esse é um procedimento normal e o defeito não teve nada a ver com a queda.

Mas o chefe da aviação civil espanhola, Manuel Bautista, disse à Associated Press nesta sexta-feira que o defeito exige maior estudo. Ele afirmou que, dependendo do que mais acontecia no avião naquele momento, isso pode ter tido participação no desastre. "Uma combinação de fatores provavelmente causou a queda", declarou.

Riveros disse que após o piloto anunciar que o problema tinha sido resolvido, os passageiros, inclusive ela, relaxaram. Antes disso, no entanto, quando ela viu os ônibus, pensou que o avião seria evacuado.

"Eu pensei que, se houvesse algo errado, a coisa certa a fazer era mudar de avião. Eu disse ao meu marido que eles deviam nos colocar em outro avião", afirmou.

 

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