Coalizão que governa o Paquistão pode ser desfeita
da Associated Press, em Islamabad
O ex-premiê Nawaz Sharif exigiu neste sábado que o PPP (Partido Popular do Paquistão, o maior do Parlamento local) diminua os poderes do futuro presidente antes que ele possa apoiar seu candidato, Asif Ali Zardari --marido da ex-premiê assassinada Benazir Bhutto. Com isso, a coalizão governamental paquistanesa ficou próxima de ser desfeita.
Sharif também adiou a data-limite para restituição de dezenas de juízes que haviam sido destituídos dos cargos pelo ex-presidente Pervez Musharraf. Esta é uma das questões-chave que divide os dois partidos desde que eles forçaram a saída de Musharraf, na semana passada.
Com eleições para a Presidência e o Parlamento marcadas para o próximo dia 6 e a violência aumentando no turbulento noroeste do país --37 insurgentes foram mortos neste sábado em represália a uma série de ataques suicidas--, a pressão está aumentando nos dois lados para que se ponha um fim às diferenças que pareciam irreconciliáveis.
Marido de Bhutto
Asif Ali Zardari, líder do PPP, aceitou neste sábado concorrer à presidência. Apesar de ser um crítico de longa data de Musharraf, Zardari provavelmente continuará com o apoio do ex-presidente à guerra dos EUA contra o terrorismo.
Mas a ascensão de Zardari ao poder poderia desapontar muitos nesta nação de 160 milhões de habitantes, que vêem o marido da ex-premiê Bhutto como um símbolo da corrupção que manchou a última experiência do país com um governo civil, na década de 1990.
Ele recebeu o apelido de "senhor dez por cento" por supostas propinas recebidas durante o período de sua mulher como primeira-ministra. Apesar do apoio do Partido Popular, a eleição de Zardari está longe de ser assegurada.
Sharif, que lidera o segundo maior partido no Parlamento, era um dos maiores rivais de Bhutto e está ameaçando lançar uma disputa pelo poder.
Ele exigiu, após um encontro com auxiliares de Zardari neste sábado, que o Partido Popular concorde em diminuir consideravelmente os poderes do novo presidente antes que Sharif apoiasse um candidato do partido.
Sharif quer que o chefe de Estado seja privado dos direitos constitucionais de dissolver o Parlamento e apontar chefes das forças armadas, mas o nome de Zardari foi lançado na disputa sem essas garantias.
Sharif, tirado do poder por Musharraf durante o golpe de 1999, também pressionou por um ultimato para até o meio da próxima semana para a restituição dos juízes demitidos por Musharraf no final do ano passado.
Violência
A disputa política desponta enquanto o Paquistão está cada vez mais ameaçado pela violência extremista. A coalizão -- unida principalmente por seu ódio a Musharraf -- se envolveu em negociações de paz com os militantes logo após tomar o poder, cinco meses atrás.
Mas, após poucos sucessos, eles passaram a confiar na força militar para tentar enfrentar os insurgentes, ligados ao Taleban e a Al Qaeda, nas remotas regiões tribais ao longo da fronteira com o Paquistão.
Os extremistas responderam com força nos últimos dias. O Taleban assumiu a responsabilidade por um dos maiores atentados terroristas da história do país, dois atentados com homens-bomba em um imenso complexo de armamento do governo que matou 67 pessoas e feriu mais de cem na última quinta feira.
Neste sábado, um carro lotado de explosivos invadiu uma delegacia de polícia na cidade turística de Swat, matando seis policiais e ferindo vários outros, segundo fontes policiais. Uma bomba que explodiu em uma estrada no vilarejo vizinho de Bari Kot matou um civil e deixou mais quatro feridos, segundo um porta-voz do Taleban, que ameaçou mais violência a não ser que o exército "pare com as operações contra nós".
Leia mais
- Coalizão governista pede apoio de Sharif à eleição de Zardari no Paquistão
- Viúvo de Benazir Bhutto aceita ser candidato à Presidência do Paquistão
- Sucessor de presidente paquistanês será eleito no dia 6 de setembro
- Taleban assume autoria de duplo atentado no Paquistão; mortos chegam a 64
- "Musharraf tem direito de viver onde quiser", dizem EUA
Livraria da Folha
Especial

