Análise: Joe Biden pode atrair voto católico para Obama?
ED STODDARD
da REUTERS, em Dallas
Será que Joe Biden, candidato a vice-presidente dos EUA pelo Partido Democrata, conseguirá trazer os católicos para o rebanho de Barack Obama? E será que sua origem operária na Pensilvânia atrairá a classe trabalhadora, que durante as primárias tendia mais para Hillary Clinton?
"Se focarmos apenas no elemento religioso, acrescentar Biden à chapa democrata foi uma manobra extremamente inteligente", disse Michael Lindsay, da Universidade Rice (Houston). Obama anunciou Biden como seu vice neste sábado, depois de uma semana cheia de especulações e apostas sobre quem ocuparia o cargo.
"Biden tem laços com um Estado [eleitoralmente] indeciso muito importante, a Pensilvânia, onde os católicos são o maior eleitorado em disputa", disse Lindsay.
John Kennedy foi o único católico a se tornar presidente dos EUA, em 1961. Se eleito, Biden seria o primeiro vice-presidente católico. Nancy Pelosi, presidente da Câmara e terceira na linhagem sucessória, também é católica.
Apesar da separação formal que existe entre religião e Estado nos EUA, esse é sempre um tema importante nas campanhas, e os candidatos são constantemente indagados sobre o papel da fé em seu plano de governo.
Aborto
Pesquisas de opinião apontam que o aborto, um tema tradicionalmente divisivo para os americanos, não é tão importante para a maioria das pessoas quanto a economia, a Guerra do Iraque e plano de saúde, que são suas prioridades.
E um candidato católico que fale apaixonadamente sobre a religião, como Biden, também pode atrair o operariado hispânico.
Aborto pode ser mais um campo minado político --a doutrina católica se opõe fortemente a isso. Por ser favorável ao direito ao aborto (embora não em gestações mais avançadas), Biden deve agradar ao eleitorado católico liberal -- enquanto os católicos conservadores, contrários à prática, já estão maciçamente do lado dos republicanos.
"Há um grupo mais amplo de católicos que têm simpatias pró-vida [contra o aborto], mas que não vota exclusivamente em torno dessa questão, e nesse caso Biden pode ser um candidato atraente", disse Allen Hertzke, professor de Ciência Política da Universidade de Oklahoma. "O fato de ser contra o aborto tardio lhe dá alguns argumentos que Obama não tem".
As pesquisas de opinião mostram uma batalha acirrada pelo voto católico no nível nacional com uma pequena vantagem para Obama. Os católicos contam por quase um quarto dos adultos americanos.
Um relatório do Centro para a Pesquisa Aplicada no Apostolado, da Universidade Georgetown (Washington), cerca de 40% dos católicos dos EUA vivem em Nova York, Califórnia e Texas, Estados que não devem ter disputas eleitorais acirradas.
O relatório diz ainda que em Estados "onde o voto católico pode fazer uma diferença real são a Flórida, Ohio e Louisiana".
Leia mais
- Presidente democrata pede união ao abrir convenção nacional
- "Convenção não deve alterar intenções de voto", diz analista dos EUA
- Partido Democrata retira punição aos delegados de Flórida e Michigan
- Republicanos lançam campanha para atrair eleitores de Hillary Clinton
- Michelle Obama mostrará na convenção que o marido é um homem comum
Livraria da Folha
Especial


Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
avalie fechar
avalie fechar
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
avalie fechar