Seqüestradores de avião no Sudão querem viajar a Paris
da France Presse, em Trípoli
da Folha Online
Os seqüestradores que desviaram para a Líbia um avião sudanês com mais de 100 pessoas a bordo pediram combustível para viajar a Paris, informou na noite desta terça-feira uma fonte aeronáutica líbia.
As autoridades líbias estão em contato com os sequestradores e já enviaram água ao avião, revelou um dirigente local. Não há informações oficiais sobre a situação dos ocupantes do equipamento.
| Arte Folha Online |
![]() |
"O piloto do avião disse que os piratas aéreos, dez ou talvez mais (...) afirmam pertencer ao Movimento de Libertação do Sudão (SLM, na sigla em inglês), de Abdel Wahid Mohammed Nur", afirmou o diretor do aeroporto militar de Kufra, onde o avião estava parado.
O grupo planeja se reunir com Abdel Wahid Mohammed Nur, que vive na capital francesa, disse o diretor Khaled Saseya, citado pela agência oficial líbia Jana.
Os piratas, que pediram um plano de vôo de Kufra a Paris, não querem negociar e exigem apenas combustível, revelou Saseya, destacando que os contatos são feitos por intermédio do piloto.
"Os sequestradores se negam a libertar os passageiros e a abrir as portas, que permanecem fechadas desde o pouso". O piloto relatou desmaios entre os passageiros devido a uma "falha no sistema de climatização".
As autoridades líbias já enviaram água ao avião, revelou um dirigente local. Integrantes do governo regional de Darfur também estão entre os passageiros, de acordo com a agência de notícias egípcia Mena. De acordo com fontes governamentais, o alvo do seqüestro era o governador da Província de Darfur, Ali Mahmoud, que estaria no vôo.
O SLM é um antigo movimento insurgente de Darfur, onde um confronto entre grupos armados e governo já deixou 300 mil mortos e 2,5 milhões de refugiados desde 2003, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas).
Seqüestro
De acordo com a Autoridade de Aviação Civil do Sudão, a aeronave decolou de Niyala rumo à capital do país, Cartum, às por volta das 17h30 de ontem (12h30 de Brasília). Cerca de meia hora mais tarde, dominado pelos seqüestradores, o piloto pediu permissão para pousar no Egito. Sem autorização, ele seguiu para o aeroporto de Kufra, na Líbia, onde aterrissou às 19h40, no horário sudanês (14h40 de Brasília).
De acordo com informações prestadas por uma fonte da Autoridade de Aviação Civil da Líbia à Mena, o pouso na Líbia foi autorizado somente por "preocupação humanitária", pois o piloto informou que não havia mais combustível.
Por volta da 0h de terça-feira (horário local), a aeronave ainda não havia sido reabastecida, e os negociadores líbios decidiam se iriam permitir a manobra. Há informações de que os criminosos teriam pedido para seguir viagem à França.
"Aos 20 minutos de vôo, o piloto entrou em contato com o aeroporto de Nyala para informar que o aparelho tinha sido sequestrado e seguia para Trípoli, na Líbia", afirmou um funcionário da Sun Air. Segundo a companhia, o avião leva 95 passageiros e sete tripulantes.
Leia Mais
- Avião seqüestrado no Sudão pousou por falta de combustível
- Seqüestradores de avião sudanês pretendiam levar governador de Darfur
- Rebeldes seqüestram avião em Darfur, no Sudão
- Após despressurização, avião faz pouso não-programado na França
- Avião faz pouso não-programado na França e 26 pessoas ficam feridas
- Queda de pequeno avião em fazenda no Chile deixa 3 mortos
Especial
Livraria da Folha


