Em crise, EUA e Rússia enviam navios militares a portos da Geórgia
da Folha Online
Um navio militar dos Estados Unidos atracou no porto de Batumi, no sul da Geórgia, no mar Negro, nesta quarta-feira, com ajuda humanitária. O porto foi escolhido em alternativa ao de Poti, que fica a 80 km e ainda é controlado por tropas russas. No mesmo dia, a Rússia levou um cruzador e mais dois barcos para o porto de Sukhumi, capital da região separatista georgiana da Abkházia, a 289 km de Batumi, para realizar operações de paz.
Um cruzador militar americano já havia deixado 34 toneladas de ajuda humanitária em Batumi no domingo (24). Ele recebeu orientação para permanecer no mar Negro por enquanto.
| Arte/Folha Online |
![]() |
O posicionamento das embarcações acontece em meio a uma crise diplomática entre EUA e Rússia. Ontem (26), o presidente russo, Dmitri Medvedev, reconheceu a autonomia de duas regiões separatistas da Geórgia, a Ossétia do Sul e a Abkházia.
O presidente dos EUA, que são aliados da Geórgia, George W. Bush, pediu que o país "reconsiderasse" a "irresponsável decisão". Hoje, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) também pediu que a Rússia desista do reconhecimento.
O secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, David Miliband, disse ontem que o líder russo deve ter a responsabilidade de não começar uma nova Guerra Fria.
| Sergei Grits/AP |
![]() |
| Navio americano atraca no porto georgiano de Batumi, no mar Negro, com ajuda humanitária |
Medvedev, porém, já afirmou que "não tem medo de nada", "nem sequer da perspectiva de uma Guerra Fria", mas reiterou que não a deseja. "Nesta situação, tudo depende da postura de nossos parceiros da comunidade mundial."
Hoje, mais integrantes da União Européia criticaram a declaração em favor dos separatistas.
Sobre o posicionamento do navio militar americano, o vice-chefe do comando militar russo, Anatoly Nogovitsyn, afirmou estar "preocupado" com as intenções das tropas americanas e criticou a ajuda humanitária usada como argumento para a movimentação. "Isso é diabólico. Essa ajuda pode ser comprada em qualquer mercadinho."
Ucrânia
Em meio à crise, o presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, declarou nesta quarta que não concorda com o reconhecimento da Ossétia do Sul e da Abkházia como independentes e que quer reajustar o preço pago pela Rússia pelo aluguel de uma base naval no mar Negro, de acordo com a agência de notícias Reuters.
Em resposta, ainda conforme a Reuters, a Rússia teria afirmado que a eventual renegociação quebraria um acordo feito em 1997 entre os países segundo o qual devem ser pagos US$ 98 milhões por ano pelo uso da base, até 2017.
Crise
A região vive sob forte tensão desde o início do mês, quando a Geórgia, que é aliada dos EUA, enviou tropas para retomar o controle sobre a Ossétia do Sul, região separatista que declarou independência no começo dos anos 90.
Moscou reagiu à ofensiva porque apóia o pequeno território e mantêm forças de paz na região. Rússia e Geórgia assinaram um cessar-fogo, intermediado pela França, mas desde o início dos conflitos vivem sob tensão. Líderes de vários países já fizeram apelos pela paz e pelo compromisso russo com a integridade territorial da Geórgia.
A Abkházia também declarou a independência unilateral no início dos anos 90 e já demonstrou vontade de se juntar ao território russo. Os auto-proclamados presidentes das duas regiões se reuniram com Medvedev em meio aos conflitos.
Com agências internacionais
Leia mais
- Entenda a tensão envolvendo a Geórgia e a Rússia
- Presidente da Rússia diz que Moscou não teme nova Guerra Fria
- Bush condena decisão russa sobre regiões separatistas
- Rússia está anexando territórios à força, diz Geórgia
- Países criticam decisão da Rússia de reconhecer regiões separatistas
- Otan rejeita reconhecimento da Rússia sobre soberania de regiões separatistas
Livraria da Folha
- Chomsky disseca a POLÍTICA EXTERNA AMERICANA no final do século 20
- "A Marcha" recria eventos da GUERRA que mudou a história dos EUA
Especial





avalie fechar
avalie fechar
quando diz "Sr. J.R. , quem mais ajudou para a derrocada alemã foram os russos e não os aliados. Leia mais, por favor... ". Desculpe Sr. Guazzelli, procuro me aprofundar no que leio, portanto não leio pasquins ...
avalie fechar