Piloto da Spanair não mencionou problema à torre, diz jornal
da France Presse, em Madri
O piloto e o co-piloto do avião MD-82 da Spanair, que caiu na semana passada em Madri deixando 154 mortos, não mencionaram nenhum problema à torre de controle do aeroporto, afirmaram dez controladores em depoimento à Guarda Civil, segundo reportagem publicada pelo jornal "ABC" nesta quarta-feira.
A última comunicação com a aeronave foi a autorização para a decolagem, afirmaram os controladores.
A informação deve ser confirmada pelas gravações das caixas-pretas do avião, que estão sendo analisadas. As caixas também gravaram o último diálogo entre os dois pilotos, o que pode esclarecer as causas da tragédia, que também deixou 18 feridos.
| Arte/Folha Online |
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O depoimento dos dez controladores e de alguns sobreviventes foi entregue na terça-feira pela Guarda Civil ao juiz responsável pela investigação.
Uma comissão internacional, formada por especialistas da Aviação Civil espanhola, da União Européia (UE) e da empresa americana Boeing, investiga as causas do acidente.
As circunstâncias do acidente do avião da Spanair continuam sendo analisadas, e, na véspera, o secretário-geral da comissão de investigação dos acidentes da aviação civil, Francisco Soto, disse que os rastros examinados pelos peritos mostraram que "o avião tocou o chão primeiro com a parte traseira, provocando a sua quebra".
Segundo ele, o avião percorreu em seguida "uma trajetória de cerca de 1.200 metros", batendo três vezes no chão em função dos declives do terreno, e pegou fogo, explicou Soto, destacando que nenhum sinal de freagem foi detectado na pista de decolagem.
Além disso, segundo várias testemunhas, teria faltado potência no avião no momento da decolagem. Soto não quis adiantar hipóteses sobre o assunto, insistindo na necessidade de analisar todos os dados antes de se pronunciar.
As caixas-pretas da aeronave, parcialmente danificadas, foram enviadas ao Reino Unido para serem analisadas por um laboratório especializado em Farnborough.
De acordo com o jornal "El País", o MD-82 teve grandes dificuldades para decolar e ultrapassou em 500 metros o ponto de decolagem habitual na pista do aeroporto internacional de Barajas, fazendo em seguida uma curva para a direita ao cair.
O mesmo jornal, assim como o "El Mundo", afirmaram que um dos dois motores do MD-82 foi encontrado em posição "reverse", que corresponde à marcha a ré do reator.
Este mecanismo é normalmente acionado no momento do pouso, quando o avião já tocou terra, para acelerar o processo de freagem.
A comissão de investigação pretende entregar daqui a um mês um relatório preliminar sobre todos os dados relacionados ao acidente, a pior catástrofe aérea dos 25 últimos anos na Espanha.
Já o funeral em Madri para os mortos na tragédia foi adiado para 11 de setembro. A cerimônia estava programada para o dia 1º de setembro, mas foi adiada para facilitar a presença das autoridades, segundo o arcebispado. O adiamento também permitirá a conclusão do processo de identificação das vítimas.
No sábado (30), será oficializado um funeral coletivo na ilha de Gran Canaria, de onde procediam 70 dos 154 mortos. O primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, confirmou sua presença na cerimônia.
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