Rússia busca apoio de países asiáticos em conflito contra a Geórgia
da Folha Online
O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, viajou nesta quarta-feira para Duchambe, capital do Tadjiquistão, para participar da reunião da Organização de Cooperação de Xangai (SCO) que acontece amanhã (28). O intuito do líder russo é buscar, na Ásia, apoio para as ações que têm promovido na vizinha Geórgia, aliada dos Estados Unidos.
| Arte/Folha Online |
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No começo de agosto, a Rússia invadiu a Geórgia para proteger a Ossétia do Sul, uma região separatista do país, de uma ofensiva militar georgiana. O conflito acabou graças a um acordo de paz mediado pela União Européia e pelos EUA. Ontem, Medvedev deu novo combustível à crise ao anunciar que o país reconhecia a autonomia da Ossétia do Sul e da Abkházia.
O presidente americano, George W. Bush, pediu logo que a Rússia "reconsiderasse" a sua "irresponsável decisão". Hoje, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e países europeus engrossaram o coro.
Para a Rússia, a maior vitória possível no SCO seria obter o apoio da China. Medvedev e o presidente chinês, Hu Jintao, se reúnem amanhã. Um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Qin Gang, afirmou que o país está "preocupado" com a situação de Ossétia do Sul e Abkházia.
| Sergei Grits/AP |
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| Navio americano atraca no porto georgiano de Batumi, no mar Negro, com ajuda humanitária |
Questionado, o porta-voz da Casa Branca, Tony Fratto, disse que a China tomará as próprias decisões. "Eu acho que não vimos nenhum país seguir a Rússia", afirmou. Na noite de ontem, o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, telefonou para Bush, mas o conteúdo do diálogo não foi divulgado. Nesta quarta, ele concedeu entrevista afirmando que não deixa a Geórgia por medo de que os russos impeçam seu retorno.
Oficialmente, a questão da Geórgia não integra a agenda do SCO, que inclui o Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão.
Nova Guerra Fria
Em meio à crise, tanto EUA quanto Rússia enviaram embarcações para a Geórgia, hoje. Os EUA enviaram o seu segundo navio militar com ajuda humanitária ao mar Negro; enquanto a Rússia enviou um cruzador e mais dois barcos para o porto de Sukhumi, capital da Abkházia, a 289 km de Batumi, para realizar operações de paz.
O vice-chefe do comando militar russo, Anatoly Nogovitsyn, disse estar "preocupado" com as intenções das tropas americanas e criticou a ajuda humanitária usada como argumento para a movimentação. "Isso é diabólico. Essa ajuda pode ser comprada em qualquer mercadinho."
O secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, David Miliband, disse que o presidente russo deve ter a responsabilidade de não começar uma nova Guerra Fria. Medvedev já afirmou que "não tem medo de nada", "nem sequer da perspectiva de uma nova Guerra Fria".
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