Leia a íntegra do discurso de Bill Clinton na Convenção Democrata
da Folha de S. Paulo
Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos, discursou nesta quarta-feira (27), terceiro dia da Convenção Nacional Democrata, em Denver (Estados Unidos), um pouco antes do candidato a vice, Joe Biden subir ao palco.
Clinton não mediu esforços para declarar seu apoio à eleição de Barack Obama para presidente dos EUA. Como sua mulher, Hillary, havia feito um dia antes, pediu a união dos democratas. Sem deixar espaço para dúvidas, afirmou que "Obama está pronto para ser presidente".
Leia abaixo a íntegra do discurso feito por Clinton:
"É uma honra estar aqui hoje à noite para declarar apoio a Barack Obama. E para preparar a platéia para o discurso de Joe Biden, ainda que, como vocês verão em breve, ele não precise da minha ajuda. Amo Joe Biden, e o país também o amará.
Que ano teve o Partido Democrata. As primárias começaram com um elenco de astros, e se reduziram a dois norte-americanos notáveis, envolvidos em uma disputa renhida que se estendeu até o último momento. A campanha gerou tanto calor que aumentou o aquecimento global.
No final, minha candidata não venceu. Mas estou muito orgulhoso da campanha que ela conduziu, porque jamais abandonou as pessoas que defende, as mudanças que busca, o futuro que deseja para os filhos de todos nós.
E estou feliz pela chance que Chelsea e eu tivemos de contar aos norte-americanos sobre a pessoa que conhecemos e amamos. Não estou tão agradecido por estar discursando na noite de hoje, depois do discurso magnífico que ela fez ontem. Mas farei o meu melhor.
Hillary nos disse de maneira inequívoca que fará tudo que puder para eleger Barack Obama. Podem me incluir nessa conta.
Na verdade, podem incluir nessa conta 18 milhões de norte-americanos. Porque, como Hillary, eu quero que todos vocês, que deram seus votos a ela nas primárias, votem em Barack Obama quando novembro chegar.E eis o motivo.
Nosso país enfrenta problemas em duas frentes. O sonho americano está sob ataque, na frente interna, e a liderança mundial dos Estados Unidos foi enfraquecida.
Os norte-americanos de classe média e de baixa renda estão sofrendo, com perdas de renda, perdas de emprego, alta na pobreza e na desigualdade, redução em sua cobertura de saúde, e com os grandes aumentos nos custos dos alimentos, energia e gasolina.
Nossa posição do mundo foi enfraquecida demais devido ao excesso de unilateralismo e à falta de cooperação; à perigosa dependência do petróleo importado; à recusa em liderar o combate ao aquecimento global; à crescente dívida e dependência de empréstimos estrangeiros.
[Devido] ao crescente desgaste das forças armadas; ao recuo quanto aos tratados de controles de armas e não proliferação nuclear de alcance global; e ao fracasso em usar de forma consistente o poder da diplomacia, do Oriente Médio à África, da América Latina à Europa centro-oriental.
Claramente, a tarefa do próximo presidente será reconstruir o sonho americano e a posição dos Estados Unidos no mundo.
Tudo que aprendi em meus oito anos como presidente e no trabalho que realizei desde então, nos Estados Unidos, e em todo o mundo, me convence de que Barack Obama é o homem certo para essa missão.
Ele tem uma notável capacidade de inspirar as pessoas, de despertar nossas esperanças e nos levar a trabalhar por um propósito mais elevado. Ele tem a inteligência e a curiosidade de que todo presidente bem sucedido necessita. Suas propostas políticas quanto à economia, aos impostos, à saúde e à energia são imensuravelmente superiores às idéias republicanas.
Ele demonstrou comando firme de nossos desafios de política externa e segurança nacional, e um firme compromisso quanto a restaurar nossas forças armadas seriamente desgastadas. Sua herança familiar e experiência de vida lhe oferecem uma capacidade única de liderar nossa nação cada vez mais diversificada e de restaurar nossa liderança em um mundo cada vez mais interdependente.
A longa e acirrada temporada de primárias serviu como teste para ele, e o fortaleceu. E em sua primeira decisão presidencial, a seleção de um companheiro de chapa, ele com certeza se saiu muito bem.
Com a experiência e a sabedoria de Joe Biden como apoio à comprovada compreensão, percepção e bons instintos de Obama, os Estados Unidos terão a liderança segura de que necessitam.
Barack Obama está pronto para liderar os Estados Unidos e restaurar a liderança norte-americana no mundo. Pronto a preservar, proteger e defender a constituição dos Estados Unidos. Barack Obama está pronto para ser presidente do Estados Unidos.
Ele trabalhará por uma América com mais parceiros e menos adversários. Reconstruirá nossas alianças desgastadas e revitalizará as instituições internacionais que nos ajudam a arcar com o custo dos problemas mundiais e a amplificar nosso poder e influência.
Ele nos colocará de volta na vanguarda do combate mundial pela redução dos arsenais químicos, biológicos e nucleares, e na luta para deter o aquecimento global.
Continuará e reforçará a liderança de nosso país em uma área na qual estou profundamente envolvido, a luta contra a Aids, tuberculose e malária, incluindo a renovação da luta contra o HIV/ Aids dentro do país. Ele optará pela diplomacia primeiro e pela força militar como último recurso.
Mas em um mundo perturbado pelo terrorismo; pelo tráfico de armas, drogas e pessoas; pelos abusos contra os direitos humanos; e por outras ameaças aos nossos interesses, segurança e valores, ele se oporá com vigor àqueles adversários que não consigamos transformar em parceiros.
Barack Obama não permitirá que os problemas do mundo obscureçam suas oportunidades. Em toda parte, tanto nos países pobres quanto nos ricos, as pessoas trabalhadoras precisam de bons empregos, serviços de saúde acessíveis, alimentos e energia a preços aceitáveis e educação de boa qualidade para seus filhos.
Esses desafios clamam por idéias e inovações que os Estados Unidos sempre foram tão eficientes em oferecer. Quando Barack Obama colocar nossas qualidades em ação, os Estados Unidos conquistarão novos aliados, abrirão novos mercados e criarão novos empregos para o nosso povo.
O mais importante é que Barack Obama sabe que os Estados Unidos não têm como ser fortes no exterior a menos que sejamos fortes em nosso país. As pessoas de todo o mundo sempre se deixaram influenciar mais pelo poder do nosso exemplo do que pelo exemplo do nosso poder.
Considerem o exemplo que os republicanos vêm oferecendo: os trabalhadores americanos nos forneceram ganhos constantes de produtividade. Trabalharam cada vez melhor, e produziram cada vez mais. E o que lhes foi dado em troca?
Queda nos salários, uma redução de mais de 75% na criação de empregos nos últimos oito anos, benefícios de saúde e aposentadorias menores, crescente pobreza e o maior salto em disparidade de renda desde a década de 20. Milhões de famílias norte-americanas estão enfrentando problemas para bancar suas contas de saúde cada vez mais altas e cobrir seus planos de saúde cada vez mais escassos.
Jamais esquecerei os pais de crianças autistas e portadoras de outras doenças graves que me disseram, durante a campanha, que não conseguiam bancar o custo de um plano de saúde e que não se qualificariam para o programa federal Medicaid de assistência a menos que deixassem seus empregos ou se divorciassem.
São esses os valores de família dos quais os republicanos tanto se orgulham? E quanto às famílias de militares, pressionadas ao ponto de ruptura pelo número sem precedentes de missões que os nossos soldados têm de servir no exterior? E quanto aos ataques à ciência e a defesa da tortura? E quanto à guerra contra os sindicatos e os favores sem limites às pessoas bem relacionadas? E quanto ao Katrina e ao compadrio?
Os Estados Unidos com certeza podem fazer melhor que isso. E Barack Obama o fará. Mas primeiro é preciso elegê-lo.
A escolha é clara. Os republicanos apontarão um bom homem, que serviu ao nosso país heroicamente e sofreu de maneira terrível no Vietnã. Ele ama o nosso país tanto quanto todos nós.
Como senador, demonstrou independência quanto a diversas questões. Mas no que tange às duas principais questões em jogo nesta eleição, como reconstruir o sonho americano e como restaurar a liderança mundial dos Estados Unidos, ele ainda adota a filosofia extremista que define seu partido há 25 anos.
Uma filosofia que não tivemos chance real de ver em ação até 2001, quando os republicanos enfim tomaram o controle da Casa Branca e do Congresso ao mesmo tempo.
Pudemos ver então o que aconteceria aos Estados Unidos caso as políticas das quais eles tanto falaram por décadas fossem implementadas.
Eles nos conduziram de superávits recorde a déficits recorde e a uma explosão da dívida nacional; de uma criação de mais de 22 milhões de novos empregos a apenas cinco milhões; de uma alta de US$ 7,5 mil na renda anual das famílias trabalhadoras a uma queda de mais de US$ 2 mil; de oito milhões de norte-americanos que conseguiram superar a linha da pobreza a 5,5 milhões que voltaram a ser pobres sem falar dos outros milhões de cidadãos que perderam seus planos de saúde.
Agora, a despeito de todas as provas em contrário, o candidato do partido promete continuar com a mesma receita: mais cortes de impostos para os norte-americanos mais ricos, o que agravará ainda mais o déficit, reforçará a desigualdade e debilitará a economia.
Mais medidas pífias para a questão da saúde, que enriquecerão as empresas de planos de saúde, empobrecerão as famílias e aumentarão o número de pessoas desprovidas de seguro-saúde.
Mais ações isoladas na política internacional em lugar da construção de responsabilidades e oportunidades compartilhadas que são necessárias para reforçar nossa segurança e restaurar nossa influência.
Eles querem de fato que os recompensemos pelos oito anos passados dando-lhes mais quatro anos no poder. Vamos lhes enviar uma mensagem, que ecoe aqui das Montanhosas Rochosas por todo o país: Não, obrigado. Dois mandatos foram mais que suficientes.
Meus amigos democratas, 16 anos atrás vocês me deram a imensa honra de conduzir o nosso partido à vitória e de liderar nosso país a uma nova era de paz e de prosperidade compartilhada por todos.
Unidos, triunfamos em uma campanha na qual os republicanos diziam que eu era jovem demais e inexperiente demais para ser o comandante-em-chefe. Parece familiar? Não funcionou em 1992, porque tínhamos a História do nosso lado. E não funcionará em 2008, porque Barack Obama tem a História ao lado dele.
A vida dele é uma encarnação do sonho americano ao modo do século 21. As realizações que já conquistou são prova de nosso progresso continuado rumo à "união mais perfeita" que os fundadores do país sonhavam.
Os valores da liberdade e da igualdade de oportunidades que ofereceram a ele uma oportunidade histórico o conduzirão agora, como presidente, a oferecer a todos os norte-americanos, não importa sua raça, religião, sexo, orientação sexual ou capacidade física, a chance de construir uma vida decente, e de demonstrar nossa humanidade a nossa maior força ao mundo.
Vemos essa humanidade, essa força e esse futuro em Barack e Michelle Obama e em suas belas filhas. E as vemos reforçadas pela parceria com Joe Biden e sua mulher Jill, uma professora dedicada, e com a família deles.
Barack Obama nos conduzirá para longe da divisão e do medo dos últimos oito anos, e de volta à unidade e à esperança. Se, como eu, vocês ainda acreditam que a América sempre deva se chamar Esperança, unam-se a Hillary, Chelsea e a mim para fazer de Barack Obama o próximo presidente dos Estados Unidos."
Tradução de Paulo Migliacci
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Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
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Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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