Mundo
28/08/2008 - 21h28

Discurso grandioso de Obama pode acabar em revés, dizem analistas

Publicidade

GABRIELA MANZINI
CAROLINA MONTENEGRO
da Folha Online

O senador Barack Obama realiza um discurso cheio de símbolos na noite desta quinta-feira, quarto e último dia da Convenção Nacional Democrata. O primeiro homem negro candidato à Presidência por um grande partido discursa no dia em que o histórico discurso do líder negro Martin Luther King Jr. chamado "I Have a Dream" ("Eu Tenho um Sonho", em português) completa 45 anos.

Como se não bastasse, é a primeira vez, desde John F. Kennedy, em 1960, que um democrata faz seu primeiro discurso como candidato oficial à Presidência em um local aberto. Obama estará em um estádio, cercado por mais de 70 mil pessoas, diante de um cenário de inspiração grega que, em muito, lembra a fachada da Casa Branca.

Charles Dharapak/AP
Texas delegates Lucy Rubio, left, Susie Luna-Saldana, center, and Aurora H. Gonzales take their seats for the final night of the Democratic National Convention at Invesco Field in Denver, Thursday, Aug. 28, 2008. (AP Photo/Charles Dharapak)
Cerca de 75 mil pessoas aguardam o discurso do candidato Barack Obama, no estádio Invesco Field, em Denver, no Colorado

"O maior risco de um discurso como esse é parecer que Obama está antecipando vitória. É como se ele estivesse comemorando antes de a corrida terminar", afirmou à Folha Online Thomas Schaller, doutor em Ciência Política e professor da Universidade de Maryland.

Schaller ressalta que a impressão poderá acentuar o que os rivais republicanos têm feito ao longo da campanha, que é transformar uma grande qualidade --o carisma-- em um grande problema.

"Com seus anúncios injustos, porém efetivos, eles têm tentado desmistificar Obama. Eles pegam uma celebridade [como Paris Hilton e Britney Spears] e a comparam a Obama, dizendo que ele é 'cool' demais para a Presidência, que ele tem um nome grande demais, que se parece demais com uma celebridade de Hollywood", disse Schaller.

Equilíbrio

Steven Clemons, diretor do programa de Estratégia Americana do New America Foundation, instituto político de Washington, concorda. "Obama precisa balancear seu discurso. Precisa ser mais pragmático para mostrar que tem substância e não apenas um monte de promessas de mudanças e esperança."

Para Clemons, dar mais embasamento à candidatura democrata será também o objetivo de Joe Biden, vice-presidente na chapa. "O discurso de Biden ontem ajudou, deu mais consistência à candidatura. A experiência e a credibilidade de Biden vão ser cruciais para Obama convencer os eleitores de suas promessas e obter alguma vantagem sobre [o republicano John] McCain nas próximas pesquisas."

"Obama é muito bom a 30 mil pés de altitude. Ele tem a mensagem certa desta eleição, de mudança. O problema é saber como ele irá agir quando o avião aterrissar", disse Schaller. "Mesmo que o discurso de hoje seja ótimo, o que os americanos estão tentando escolher é um comandante-em-chefe, e não uma estrela do rock-em-chefe."

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
avalie fechar
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
avalie fechar
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (2849)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca