Mundo
28/08/2008 - 22h52

Gustav ameaça se transformar em forte furacão

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SONIA OSORIO
da Efe, em Miami

A tempestade tropical Gustav ameaça se transformar em um poderoso furacão, após sua passagem por Jamaica e Cuba, e está previsto que, na próxima terça-feira, atinja a Louisiana, nos Estados Unidos, três anos depois da devastação causada pelo ciclone Katrina.

Gustav, que deixou pelo menos 33 mortos no Haiti e na República Dominicana, chegou hoje à Jamaica possivelmente com ventos máximos sustentados de 110km/h e fortes chuvas e fez mais uma vítima.

Um homem de aproximadamente 50 anos --ainda não foi identificado-- morreu após ser derrubado de uma árvore pelos fortes ventos da tempestade enquanto colhia frutas e fraturar o pescoço após a queda, informou a polícia.

Está previsto que, na sexta-feira, Gustav se transforme novamente em um furacão de categoria um ou dois, níveis mínimos na escala de intensidade Saffir-Simpson de um a cinco.

Gustav, o terceiro ciclone da temporada de furacões no Atlântico, chegou na terça-feira ao sudoeste do Haiti com ventos de 150 km/h.

Entretanto, quando atingir o golfo do México estará mais forte, até se transformar em um perigoso furacão de categoria três com ventos máximos sustentados entre 178km/h e 209 km/h.

"As previsões indicam que poderia chegar a categoria três no domingo sobre as águas do golfo do México. Será um furacão intenso", disse hoje à agência Efe Gladys Rubio, meteorologista do Centro Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês) americano.

"As condições serão favoráveis sobre o noroeste do mar do Caribe, onde a temperatura da água é de 26,5 graus centígrados", explicou.

As águas quentes são um dos fatores que fortalecem as tempestades e os furacões.

Os Estados do litoral do golfo observam com pânico o avanço de Gustav, pois a região foi devastada pelo furacão Katrina em 29 de agosto de 2005.

Katrina

O Katrina devastou os Estados do litoral do golfo com ventos de 209 km/h e causou graves inundações em Nova Orleans, em uma das maiores tragédias ocorridas nos EUA, na qual morreram 1.833 pessoas e houve perdas de aproximadamente US$ 80 bilhões, segundo um relatório do NHC.

Deste número de mortes causadas pelo furacão, pelo menos 1.577 foram no Estado da Louisiana, 238 no Mississippi, 14 na Flórida e dois na Geórgia e no Alabama.

O furacão Katrina é considerado o ciclone que mais causou prejuízos aos EUA e um dos cinco mais matou na história do país.

Segundo Rubio, a atual trajetória de Gustav indica que ele atingiria algum lugar entre Louisiana e Texas. Porém, esta previsão ainda pode mudar.

No entanto, as previsões de computador a cinco dias apontam Gustav chegando a algum local entre Nova Orleans e Morgan City, na Louisiana.

Rubio advertiu que os modelos a longo prazo são menos confiáveis e que ainda é muito cedo para dizer onde ele chegará com mais força.

Independentemente do lugar, Gladys Rubio enfatizou a importância de a população dos Estados do Golfo e do noroeste do mar do Caribe, incluindo o oeste de Cuba e a península de Iucatã, estar atenta à futura trajetória de Gustav.

Hanna

Além de Gustav, apareceu outra ameaça sobre a Flórida, já que o NHC previu que, a partir de domingo, a oitava tempestade tropical da temporada, Hanna, que se formou hoje no Atlântico, poderia se transformar no quarto furacão da temporada e afetar a costa leste do Estado.

Apesar do fortalecimento de Gustav e do perigo que isto representaria para a produção petrolífera no golfo do México, na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), o preço do petróleo do Petróleo Intermediário do Texas (WTI, leve) caiu US$ 2,56 e fechou a US$ 115,59 por barril.

Quando Gustav deixar a Jamaica --após afetar também às ilhas Cayman, ele partirá rumo a oeste de Cuba, aonde chegará no sábado.

O Instituto de Meteorologia cubano anunciou hoje que Gustav se intensificará e chegará nesta sexta-feira com força de furacão ao sul do país.

O mesmo órgão emitiu um aviso de ciclone às 18h local (19h, Brasília). Nessa hora, o centro da tempestade tropical estava em 18,1 graus de latitude norte e 76,7 de longitude oeste, a apenas 25 km norte-nordeste de Kingston, capital da Jamaica, e a 215 km a sudeste de Cabo Cruz, em Granma (Cuba).

Cuba

O aviso recomenda que o alerta seja mantido nas Províncias de Granma, Santiago de Cuba e Guantánamo, onde ainda haverá intensas chuvas, ressacas e inundações, e "de maneira especial durante os próximos dias" na região oeste da ilha.

Os cubanos se sentiram aliviados na manhã da quinta-feira, quando se soube que Gustav, após passar por Haiti e República Dominicana, tinha mudado sua direção para o sudeste, indo para a Jamaica e se afastando da ilha.

Porém, o chefe de previsões do Instituto de Meteorologia, José Rubiera, pediu que se moderasse o otimismo, pois não é a primeira vez que um ciclone retorna a Cuba após passar pela Jamaica.

O governo do país emitiu uma alerta de furacão (passagem em 36 horas) para as Províncias de Isla de Juventud, Pinar del Río e Havana, informou o NHC em seu boletim das 18h (Brasília) de hoje.

Também estão sob alerta de tempestade tropical as Províncias de Matanzas e de Granma (passagem em 24 horas).

Na Jamaica, centenas de turistas fugiram da ilha, trabalhadores das plataformas de extração de petróleo foram evacuados, os portos estão fechados e as escolas suspenderam suas atividades.

A força dos ventos já fez voar muitos tetos em St. Mary, Portland e St.Thomas, no leste da ilha.

O governo jamaicano informou que centenas de famílias foram transferidas para abrigos diante da destruição causada nas residências da região.

O Escritório de Administração de Desastres, Prevenção e Emergências (ODPEM, na sigla em inglês) está sob alerta em nível nacional e o Exército está pronto para prestar socorro imediatamente em operações de busca e resgate.

Enquanto isso, os cidadãos enchem os supermercados para se abastecer de alimentos, água e outros produtos necessários para enfrentar a passagem de Gustav.

 

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