Mundo
29/08/2008 - 00h00

Obama detalha propostas e critica McCain em discurso histórico

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da Folha Online

Em discurso histórico como o primeiro candidato presidencial negro de um grande partido americano, Barack Obama foi direto ao ponto. Insistiu em seu slogan de mudança e criticou seu rival John McCain, mas pela primeira vez especificou suas propostas.

"Vou soletrar de que tipo de mudança estou falando (...) Vou cortar os impostos para 95% das famílias trabalhadoras americanas. Em dez anos vamos acabar com nossa dependência de petróleo do Oriente Médio, carros com combustível renovável serão fabricados aqui nos Estados Unidos. Também vou investir em fontes alternativas de energia e encerrar a Guerra no Iraque, de forma responsável", afirmou o democrata sob aplausos de quase 75 mil pessoas reunidas no estádio Invesco Field, em Denver.

AP
Barack Obama acena para a platéia no estádio Invesco Field, em Denver, onde aceitou a nomeação democrata para a Presidência
Barack Obama acena para a platéia no estádio Invesco Field, em Denver, onde aceitou a nomeação democrata para a Presidência

Alguns minutos antes pouco após subir no palco, o democrata aceitou ser nomeado oficialmente candidado democrata e agradeceu os discursos da senadora Hillary Clinton, de seu marido e ex-presidente Bill Clinton e do vice democrata, Joe Biden, que chamou de "próximo vice-presidente dos Estados Unidos".

A administração do presidente George W. Bush foi alvo de duras críticas de Obama, que serviram para associar McCain a idéia de "mais do mesmo" e sedimentar sua posição como "o candidato da mudança".

"Estamos aqui porque amamos muito este país para permitir que os próximos quatro anos sejam como os últimos oito", disse Obama, em referência à Presidência de George W. Bush.

"Em 4 de novembro, temos que ser firmes e dizer: 'oito, são o bastante'", afirmou Obama, condenando McCain por apoiar as políticas fracassadas do governo Bush.

"John McCain votou com George Bush 90% das vezes. O senador McCain gosta de dizer que tem critério, mas o que realmente depõe sobre seu critério foi pensar que George Bush esteve certo 90% das vezes", dirá o senador por Illinois. "Não sei,vocês, mas não estou disposto a apostar que a possibilidade de mudança seja de 10%", brincou Obama.

"O senador McCain não faz por mal, é que ele não entende, ele não conhece a classe média", afirmou, em referência a declarações de McCain em que admitiu não saber quantas casas possuía e acreditava que ser rico nos Estados Unidos é ter ao menos US$ 5 milhões (R$ 8,13 milhões).

Obama também criticou a Guerra no Iraque, a desaceleração da economia e as políticas republicanas para saúde e educação. Mas não deixou margem para as críticas da campanha de McCain e afirmou que será firme contra o terrorismo, ironizando a incapacidade do governo Bush em prender Osama bin Laden, no Afeganistão, após sete anos do 11 de Setembro.

"Nós somos os democratas de Kennedy, de Roosevelt. Estamos aqui para restaurar este legado. Vou encerrar esta Guerra do Iraque responsavelmente e eliminar a Al Qaeda no Afeganistão. E vou restaurar a liderança da América no mundo para todos aqueles que defendem a liberdade", prometeu o senador.

Jim Bourg /Reuters
Obama sobe ao palco da Convenção do Partido Democrata, montado em um estádio especialmente para receber o candidato
Obama sobe ao palco da Convenção do Partido Democrata, montado em um estádio especialmente para receber o candidato

"É hora de mudármos a América e, é por isso, que estou disputando a Presidência (...) Nosso governo deve trabalhar para nós e não contra nós. Não apenas para alguns poucos favorecidos, mas para todos nós", acrescentou.

"Sei que não me encaixo no perfil típico [de candidato à Casa Branca] e não passei a maior parte de minha vida política nos corredores de Washington. Mas o que eles [republicanos] não perceberam é que estas eleições nunca foram sobre mim, estas eleições são sobre vocês", afirmou.

Ovacionado pela platéia, Obama recebeu uma chuva de confetes no final de seu discurso, enquanto fogos de artifício iluminavam o céu sobre o estádio lotado de Invesco Field.

"I have a dream"

O senador por Illinois aceitou formalmente a candidatura presidencial democrata 45 anos depois do mítico discurso "I have a dream" ('Eu tenho um sonho') do reverendo afro-americano e líder dos direitos civis Martin Luther King.

"Sonho com que meus quatro filhos vivam um dia em um país onde não sejam julgados pela cor de sua pele", disse Luther King há exatos 45 anos em um país muito diferente, no qual a possibilidade de um negro concorrer pela Casa Branca parecia impossível de ser alcançada.

A materialização do sonho de Luther King provocou ontem lágrimas de alegria no Pepsi Center, onde o senador afro-americano foi proclamado candidato presidencial democrata por aclamação.

Obama começou a trabalhar em seu discurso durante suas recentes férias no Havaí, e o escreveu no fim de semana passado em um hotel de Chicago, a 15 minutos de sua casa.

Ao contrário de 2004, quando Obama ganhou destaque na cena política americana, após discursar na Convenção Democrata em Boston com um discurso emotivo e idealista, em que falou de um "único" país capaz de transcender as divisões raciais e políticas, o discurso de hoje foi mais pragmático.

Seus rivais republicanos o acusam com freqüência de ser um orador muito hábil e que pronuncia discursos vagos nos quais não se oferecem soluções reais aos problemas do país.

Obama, que escreveu seu discurso a lápis em um bloco de anotações, e o transcreveu depois no computador, buscou inspiração para esta noite em discursos de aceitação pronunciados por vários presidentes desde Ronald Reagan, até George H.W. Bush (pai do atual presidente George W. Bush), Franklin Roosevelt, Harry Truman e John F. Kennedy.

Espetáculo

Acostumado a reunir milhares em seus comícios pelo país, Obama fez seu mais importante discurso em uma noite programada para ser um grande espetáculo.

Em vez do Pepsi Center, local que abrigou a Convenção Democrata nos últimos três dias, o discurso de aceitação da nomeação democrata, oficializada nesta quarta-feira por aclamação, foi no estádio Invesco Field.

Charles Dharapak/AP
Texas delegates Lucy Rubio, left, Susie Luna-Saldana, center, and Aurora H. Gonzales take their seats for the final night of the Democratic National Convention at Invesco Field in Denver, Thursday, Aug. 28, 2008. (AP Photo/Charles Dharapak)
Delegados do Texas assistem ao início da quarta e última noite da Convenção Nacional Democrata quando Barack Obama discursou

O cenário também foi pensado para ser digno do próximo presidente dos Estados Unidos. Com colunas brancas, o palco foi montado para lembrar um templo grego, de acordo com o comunicado da equipe que organiza o evento. Coincidentemente, parece também com as colunas em frente à Casa Branca, sede oficial da Presidência americana.

O palco onde Obama discursou nesta quinta-feira tem ainda uma estrutura similar a grandes shows de rock. Ele pode ser erguido do chão --uma imagem forte para os milhões de americanos que acompanharão o evento pela televisão.

O local é também mais uma das comparações entre Obama e o popular ex-presidente John Kennedy que, em 1960, aceitou sua nomeação em um discurso para 80 mil pessoas no Coliseu de Los Angeles.

De volta ao topo

A estratégia de transformar a Convenção Democrata em um espetáculo já parece estar surtindo efeito no eleitorado americano. No dia em que aceitou a nomeação democrata, Obama aparece liderando novamente pesquisa de intenção de votos. Segundo a sondagem Gallup, realizada durante a Convenção Democrata, o senador conta com 48% das intenções de voto contra 42% de McCain.

Para o instituto de pesquisa, o resultado favorável de Obama após um período de empates é o primeiro sinal do típico salto causado pela atenção gerada em torno da convenção, com a oficialização da candidatura e diversos discursos favoráveis ao democrata.

Tradicionalmente, logo após as convenções, há um aumento médio de cinco pontos percentuais nas intenções de voto para o candidato.

Por enquanto, Obama conquistou três pontos percentuais e assumiu a liderança desde a última pesquisa Gallup, realizada entre 22 e 24 de agosto, logo antes do evento em Denver, Colorado, que colocava os dois candidatos empatados com 45% das intenções de voto cada.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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