Mundo
01/09/2008 - 13h49

Com Gustav, abertura da Convenção Republicana vira "reunião de negócios"

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da Folha Online

Devido ao furacão Gustav, que tocou território americano na manhã desta segunda-feira, na costa sul dos Estados Unidos, o Partido Republicano acabou obrigado a esvaziar a abertura da Convenção Nacional e transformá-la em uma "reunião de negócios".

O evento começa nesta segunda em St. Paul, no Estado de Minnesota, e dura quatro dias.

Ron Edmonds/AP
Voluntária distribui panfletos em cadeiras em preparação para a Convenção Nacional Republicana, que começa na noite de hoje
Voluntária distribui panfletos em cadeiras em preparação para a Convenção Nacional Republicana, que começa na noite de hoje

Segundo Rick Davis, coordenador da campanha do republicano John McCain, a abertura irá durar cerca de duas horas e tratar "apenas de negócios", abrindo mão da "retórica política". Entre as atrações previstas estão os pronunciamentos da primeira-dama, Laura Bush, e da mulher de McCain, Cindy McCain.

Conforme informações do site da revista "Time", nos pronunciamentos, Laura vai apresentar um vídeo no qual governadores de diversos Estados irão agradecer os delegados pelo apoio. Já Cindy deve pedir ajuda para arrecadar fundos que serão aplicados na reparação de danos que o Gustav deverá causar.

O coordenador da campanha republicana afirmou que McCain não tem planos de aceitar sua nomeação em nenhum lugar além da cidade de St. Paul e que a programação da convenção será decidida diariamente. Nos próximos quatro dias, por lei, o partido precisa realizar alguns procedimentos com determinados quóruns para oficializar a candidatura de McCain.

Bush e Cheney

Mesmo que haja programação todos os dias, a convenção republicana já deve contar com menos participantes que o previsto.

O presidente dos EUA, George W. Bush, e o vice, Dick Cheney, já cancelaram sua aparição. Eles deveriam falar nesta segunda, mas cancelaram o compromisso e viajaram para o Texas para supervisionar tarefas de emergência ligadas ao furacão --os dois foram muito criticados por sua reação ao Katrina, em 2005.

Análise

Especialistas apontam que a desistência de Bush e Cheney pode beneficiar McCain, uma vez que ele se esforça para se afastar da imagem do atual presidente. Por outro lado, com todas as atenções voltadas para o furacão, McCain perde a cobertura intensa da imprensa durante a convenção. Na semana passada, o adversário dele, o democrata Barack Obama, subiu nas pesquisas de intenção de voto, após a Convenção Nacional Democrata.

Em quase todas as convenções nacionais, desde 1964, os candidatos à Presidência dos EUA tiveram aumento nas pesquisas após o evento que oficializou suas candidaturas. Este salto já é tradicionalmente esperado pelas equipes de campanha e pesquisadores. De acordo com o instituto de pesquisas Gallup, o "salto" pode chegar a cinco pontos percentuais.

Segundo o Gallup, apenas George McGovern, em 1972, e John Kerry, em 2004, não viram um aumento nas intenções de voto após as convenções. O democrata Bill Clinton, candidato à Presidência em 1992, teve o maior aumento da história, de 16 pontos percentuais.

Democratas

Os democratas também voltam sua atenção para o Gustav. Ontem, Obama disse que mobilizará os integrantes de sua vasta lista de doadores para enviar dinheiro ou voluntários para ajudar nos esforços de emergência, após a passagem do furacão Gustav.

 

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