Mundo
04/09/2008 - 20h28

Brasil vê democracia angolana consolidada com eleições

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da Lusa, em Brasília

Para o governo brasileiro, as eleições legislativas desta sexta-feira em Angola vão ajudar a consolidar a democracia no país africano de língua portuguesa.

"É uma etapa importante a organização de um pleito como este, que vai consolidar um processo de construção de uma sociedade pluralista e democrática. Angola sai a ganhar", disse o chefe da Divisão de África do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

Luciano Macieira salientou que o processo eleitoral angolano foi organizado de uma maneira "límpida", mas considerou "desnecessárias" as restrições de circulação de agentes diplomáticos no país, impostas por Angola sob a alegação de falta de segurança.

"Na nossa avaliação, isso foi uma questão de controle", citou o diplomata.

Macieira admitiu que as eleições municipais de outubro no Brasil impediram uma participação maior do país na missão de observadores da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) em Angola, já que muitos parlamentares estão envolvidos com a campanha política.

O único deputado brasileiro que integra a missão de observação eleitoral da CPLP em Angola, George Hilton, do Partido Progressista (PP), de Minas Gerais, concordou com a crítica. "O Brasil poderia ter tido, até por uma questão histórica, um engajamento maior de parlamentares nessa missão eleitoral em Angola", disse o deputado.

Na avaliação de Hilton, a eleição de sexta-feira, a segunda em 33 anos de independência do país, revela um novo momento para os cidadãos angolanos.

"Um Parlamento forte e representativo é um fórum amplo de defesa das garantias individuais e coletivas que devem fazer parte da democracia. É preciso que seja dado um novo respaldo aos cidadãos de Angola", afirmou o parlamentar brasileiro que integra a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.

O senador Eduardo Suplicy, do Partido dos Trabalhadores (PT), membro da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, também atribuiu ao processo eleitoral brasileiro a dificuldade dos parlamentares de acompanhar mais de perto as eleições angolanas.

Suplicy disse corroborar com recomendações feitas pela organização humanitária "Human Rights Watch" para as eleições de Angola.

"É importante que o Código de Conduta Eleitoral seja cumprido e que todas as alegações de violência e intimidação sejam prontamente investigadas", assinalou Suplicy, ressaltando ainda a necessidade do acesso de todas as partes aos media e da liberdade de circulação para os observadores internacionais.

 

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