Mundo
04/09/2008 - 22h15

Viúvo de Benazir Bhutto é favorito à Presidência do Paquistão

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da France Presse, em Islamabad

Asif Ali Zardari, viúvo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, deverá ser eleito este fim de semana presidente do Paquistão. Com maioria parlamentar fragilizada, o país é assolado por ataques de militantes ligados à Al-Qaeda.

Zardari deve suceder o ex-general Pervez Musharraf, que renunciou dia 18 de agosto sob pressão de uma coalizão de partidos da oposição que assumiu o Parlamento em fevereiro.

O viúvo de Bhutto se mantinha afastado da cena política de seu país, antes do assassinato de sua mulher, em um ataque suicida durante sua campanha eleitoral dia 27 de dezembro do ano passado. Antes de assumir a liderança do Partido do Povo Paquistanês (PPP) poucos dias depois do atentado, Zardari era tido no país como símbolo da corrupção do poder nos anos 1990.

A ascensão à Presidência do chamado "Mister 10%" (em referência às propinas que teria cobrado durante os governos de Bhutto) não deve mudar em nada a cena política local a curto prazo: Zardari dirige de fato o país desde março, como líder do primeiro partido da coalizão governista.

Há mais de um ano, o Paquistão, única potência militar nuclear do mundo muçulmano, vive um caos político e econômico. Aliado chave dos EUA em sua guerra contra o terrorismo desde o 11 de Setembro de 2001, o país de 160 milhões de habitantes está mergulhado numa crise sem precedentes de atentados suicidas, que no último ano matou cerca de 1.200 pessoas.

O exército combate desde 2003 as milícias islâmicas ligadas à rede Al-Qaeda de Osama bin Laden e os talibãs afegãos que, segundo Washington, recobraram suas forças nas zonas tribais do noroeste, na fronteira com o Afeganistão.

Washington, que financia grande parte da guerra contra o terrorismo no Paquistão, "abandonou" a proteção a Musharraf, depois que o Exército não conseguiu eliminar a ameaça terrorista.

Fogo cruzado

Analistas políticos acreditam que os dias da atual coalizão governista estão contados, desde que o ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, grande rival de Bhutto nos anos 1990, se uniu à oposição em 25 de agosto passado.

Para governar, o PPP está à mercê da decisão de três ou quatro pequenos partidos com interesses muito divergentes, de laicos progressistas a fundamentalistas muçulmanos, passando pelos nacionalistas da tribo pashtun do noroeste.

As margens de manobra de Zardari são extremamente reduzidas. Ele corre o risco de ficar entre fogos cruzados: Washington de um lado, que vem multiplicando os ataques aéreos nas zonas tribais e ameaça com uma operação terrestre; e a população paquistanesa, que enfrenta atentados suicidas quase todos os dias e está ficando cada vez mais pobre com a inflação recorde.

Na votação de sábado participarão os membros das duas câmaras do Parlamento e das quatro assembléias provinciais.

Os outros dois candidatos declarados, o advogado Saeeduzzaman Siddiqui, apoiado pelo partido de Sharif, e Mushahid Hussain, próximo a Musharraf, devem obter poucos votos.

 

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