Paquistão vota para eleger presidente e encerrar era Musharraf
IGOR G. BARBERO
da Efe, em Islamabad
O Paquistão elege neste sábado o sucessor de Pervez Musharraf na Presidência do país, em uma votação parlamentar que encerra uma era e coloca o poder, previsivelmente, nas mãos do Partido Popular do Paquistão (PPP) de Asif Ali Zardari.
O pleito ocorre somente 11 meses depois da reeleição de Musharraf, que pretendia seguir no poder cinco anos como civil. Em fevereiro último, uma eleição colocou o governo nas mãos do PPP, que negociou uma coalizão com a Liga Muçulmana-N (PML-N), do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif. Isso provocou uma distribuição do poder central e também nas províncias.
| Efe/AP/Reuters |
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| Mushahid Hussain Sayed, Asif Ali Zardari e Saeeduzzaman Siddiqui, os três candidatos para a Presidência do Paquistão |
Encurralado politicamente sem o comando do Exército, Musharraf renunciou no último dia 18 de agosto, para evitar um processo de impeachment. Na ocasião, Zardari e Sharif saudaram o "fim da ditadura" no Paquistão.
Mas a era pós-Musharraf prolonga conflitos que os líderes políticos do país não souberam resolver, envolvidos em constantes disputas enquanto o país sofre com uma nova onda de violência fundamentalista e uma crise econômica que, de acordo com a fonte, o deixou sem reservas, à beira da moratória.
Zardari
Para uma fonte diplomática entrevistada pela agência de notícias Efe, é certa a vitória de Zardari, viúvo da líder assassinada Benazir Bhutto.
Logo após a renúncia de Musharraf, Zardari prescindiu de Sharif. Ele, no entanto, continua fazendo as mesmas promessas --de restauração de uma Justiça independente e diminuição dos poderes presidenciais.
Zardari tem sido nos últimos meses, efetivamente, presidente do Paquistão. O premiê, Yousef Raza Guilani, do PPP, já admitiu publicamente que teria de consultá-lo antes de tomar alguma decisão. A administração Guilani chama atenção pela inoperância e por ser refém do conflito político entre Zardari e Sharif.
Mas Guilani segue sem aceitar formalmente as demissões dos ministros da PML-N. Disse esta semana que os convidará para fazer parte do governo, que continua incompleto, com postos essenciais vagos.
PPP
Na atual semana de campanha, o PPP se projetou como o partido do consenso e o "salvador" da "federação paquistanesa", consciente de ser o único grupo com apoio notável em todas as províncias, enquanto a PML-N depende da populosa região do Punjab.
Apesar das "grandiloqüentes" promessas de mudança do sistema político e de criação de instituições fortes, o gabinete do PPP "esteve paralisado durante meses por causa de um estilo de Governo personalizado que está cheio de retórica e com ausência de resultados", criticou em um artigo o analista local Yousef Nazar.
Para Nazar, que duvidou da capacidade de Zardari em promover consenso, este "utilizou astutamente Sharif para livrar-se de Musharraf".
Sharif
Sharif, por sua vez, deu início a uma aproximação com a Liga Muçulmana-Q (PML-Q), partido que sustentou politicamente o regime Musharraf, visando a expulsão do PPP do governo.
"Na tradição da política paquistanesa, todo mundo tenta fazer com que as legislaturas não se completem, sobretudo a PML-N. Tratam de fazer com que o Exército intervenha", afirmou a fonte diplomática à Efe. A PML-N promoveu uma candidatura "neutra" para a Presidência.
O postulante Saeeduzzaman Siddiqui, primeiro presidente do Tribunal Supremo a enfrentar Musharraf negando-se a jurar a nova ordem constitucional após golpe de Estado, se disse, em entrevista à Efe, "otimista" diante da possível reunificação das duas Ligas Muçulmanas. "Se as duas Ligas se unissem, poderia haver um governo estável", disse Siddiqui.


