Mundo
06/09/2008 - 07h02

Siddiqui é o candidato presidencial do premiê deposto por Musharraf

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da Folha Online

O juiz Saeeduzzaman Siddiqui concorre à Presidência do Paquistão neste sábado pela Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N), do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif.

Siddiqui era o presidente da Suprema Corte paquistanesa quando Pervez Musharraf assumiu o poder, depois do golpe militar, em 1999. Aliado de Sharif, que foi deposto no golpe, Siddiqui se recusou a fazer juramento de lealdade a Musharraf e renunciou ao cargo.

Nascido em 1º de dezembro de 1937, em Calcutá, Índia, Siddiqui começou seus estudos na escola Lucknow, na cidade de Dacca (atual capital de Bangladesh) onde cursou engenharia na Universidade de Dacca. Em 1956, mudou-se com a família para populosa Karachi, capital política do recém-criado Estado do Paquistão onde mora até hoje com sua mulher e filho. Lá, estudou artes, economia e direito na Universidade de Karachi, onde se formou em 1960.

Três anos depois, começou a exercer a advocacia no Tribunal Superior de Karachi. Em 1969, chegou ao Supremo. Talentoso e reconhecido por sua oratória, Siddiqui subiu rapidamente na carreira, sendo eleito juiz da Corte Provincial de Sindh em 5 de maio de 1980.

Como juiz, ganhou visibilidade no cenário político e foi indicado como integrante da Comissão Eleitoral do Paquistão.

Em 1986, foi eleito presidente do Comitê de Regras da Corte Suprema de Sindh. Naquele ano, também foi indicado pelo secretário-geral da Organização da Conferência Islâmica para apurar as condições da minoria muçulmana na Bulgária. Ele apresentou seu primeiro relatório na 17ª Conferência de Ministros de Relações Exteriores na Jordânia, em março de 1988.

Em 1992, assumiu como integrante do Supremo Tribunal nacional. Sete anos depois, em 1º de julho de 1999, foi nomeado presidente do Supremo.

Musharraf

Siddiqui representou o Paquistão como membro da Corte Internacional de Justiça de Haia, mas poucos meses depois viu sua carreira interrompida pelo golpe militar que derrubou seu aliado Sharif do cargo de primeiro-ministro. Sob o controle do ditador Musharraf, Siddiqui foi condenado a prisão domiciliar e teve que abandonar o Supremo em 26 de janeiro de 2000.

Com a queda de Musharraf, Sharif o elegeu como candidato do partido, criado após romper sua aliança com o Partido Popular (PPP) de Benazir Bhutto, que recusou a reabilitação dos juízes expulsos por Musharraf em 2007.

"Eu aceitei a proposta porque a crise judicial impede que se abordem os verdadeiros problemas e a Liga de Sharif é o único partido que tem uma postura inequívoca para restaurar a independência da instituição", disse o candidato à agência Efe.

Visão

"Mantive contatos com todas as forças políticas e recebi ofertas de todas, mas nunca me decidi por nenhuma porque, uma vez dentro, não as pode criticar", disse Siddiqui. Para ele, o Paquistão "não teve um bom líder desde seu criador, Mohammed Ali Jinnah. Esta carência nos fez perder metade do país em 1971".

Como presidenciável, Siddiqui aposta no "diálogo entre as forças" e na "busca por consensos mínimos" como a única maneira de acabar com a crise política do país. "Um só partido nunca conseguirá", disse, pouco crédulo do sistema partidário.

Siddiqui afirma ainda que é a favor da supressão dos poderes do presidente para dissolver o Parlamento e suspender o governo. Na sua opinião, a Presidência deve ser apenas um posto cerimonial, ocupada por alguém "que garanta que a federação se manterá intacta".

Com Efe, Enciclopédia da Nationmaster e site de notícias paquistanês Thenews

 

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