Paquistão elege viúvo de Bhutto para suceder Musharraf; atentado mata 16
da France Presse, em Islamabad
O Parlamento e as quatro assembléias provinciais elegeram neste sábado novo presidente do Paquistão o viúvo da ex-primeira-ministra assassinada Benazir Bhutto, Asif Ali Zardari, em meio ao caos político e econômico e às ameaças da Al-Qaeda.
"Asif Ali Zardari recebeu 281 dos 426 votos" de ambas as câmaras legislativas, declarou o chefe da comissão eleitoral, Qazi Mohammad Farooq, ao Parlamento.
Pouco antes ele havia anunciado que o marido da ex-premiê, morta em 27 de dezembro, estava com a maioria dos votos das quatro assembléias provinciais reunidas.
| Anjum Naveed/AP |
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| Asif Ali Zardari, viúvo de Benazir Bhutto, foi eleito hoje presidente do Paquistão |
A vitória do líder do principal partido da coalizão no poder desde às legislativas de fevereiro estava assegurada de antemão.
Além do Parlamento, votaram as assembléias de Pendjab (centro-oeste), Sind (sudeste), Balutchistan (sudoeste) e da Província da Fronteira do Noroeste.
A votação foi realizada 20 dias depois da renúncia do chefe de Estado Pervez Musharraf, forçada pela nova aliança no poder, constituída após as eleições legislativas de 18 de fevereiro.
Esta nova aliança é liderada pelo Partido do Povo Paquistanês (PPP), dirigido agora por Zardari.
Zardari, de 53 anos e apelidado de "Mister 10%" pelas comissões que cobrava para realizar determinados serviços, simboliza a corrupção do poder nos anos 90, quando sua esposa dirigia o país, e é relativamente impopular entre os 168 milhões de habitantes do Paquistão, a única potência nuclear no mundo islâmico.
Zardari passou 11 anos na prisão, até 2004, por corrupção e assassinato, e foi anistiado do resto das acusações pelo presidente Musharraf há um ano, quando o então chefe de Estado negociava com Bhutto uma repartição do poder. Apesar de tudo, foi designado por seu partido como candidato.
Os outros dois aspirantes foram o advogado Saeed-uz-Zaman Siddiqui e Mushahid Hussain, próximo a Musharraf.
Atentado
Pelo menos 16 pessoas morreram e 80 ficaram feridas depois que um suicida detonou um carro-bomba contra um posto militar no noroeste do Paquistão, onde atuam militantes da organização Al-Qaida.
A explosão foi tão violenta que o posto de controle, localizado próximo à cidade de Peshawar, "ficou completamente destroçado e os edifícios contíguos foram abalados", contou à agência o policial Mohammad Ashraf no hospital, com um ferimento no ombro.
O atentado foi perpetrado poucas horas antes dos parlamentares elegerem como novo presidente do Paquistão o controvertido Asif Ali Zardari.
O Paquistão é aliado dos Estados Unidos em sua "guerra contra o terrorismo" e sofre uma onda de atentados suicidas por militantes islâmicos que já resultaram em 1.200 mortos em pouco mais de um ano. E desde o final de 2001, o exército paquistanês perdeu mais de 1.000 soldados na luta contra insurgentes no noroeste do país. O grupo Al-Qaida declarou há um ano uma "jihad" (guerra santa) contra Islamabad.
Há alguns meses, o governo norte-americano acusou Islamabad de não fazer esforços suficientes na luta contra a organização insurgente e os talebãs afegãos, enquanto assegura que os últimos reconstituíram suas forças em zonas tribais no noroeste do país, na fronteira com o Afeganistão.
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