Mundo
08/09/2008 - 12h03

Ataque de míssil americano mata ao menos 12 no Paquistão

Publicidade

Colaboração para a Folha Online

Um ataque de mísseis americanos no Paquistão matou ao menos 12 pessoas na madrugada de hoje, entre eles insurgentes paquistaneses e afegãos ligados ao Taleban. Duas explosões foram ouvidas por moradores locais por volta das 2h (Brasília), provocadas por três mísseis que, segundo eles, vieram de "drones", aviões sem piloto e guiados por controle remoto.

O alvo foi uma madrassa --escola religiosa islâmica-- localizada numa vila próxima à fronteira com o Afeganistão, na região do Waziristão do Norte. A escola foi fundada por um amigo de Osama Bin Laden e comandante do Taleban, Jalaluddin Haqqani.

Arte/Folha Online

A agência Reuters informou que o ataque matou 16 pessoas, a maioria delas rebeldes do grupo de Haqqani. O número foi dado por um oficial da inteligência paquistanesa em condição de anonimato. Ele confirmou que entre as vítimas estavam quatro mulheres e duas crianças. De acordo com testemunhas, os mísseis atingiram também casas próximas e deixaram entre 15 e 20 pessoas feridas.

Jalaluddin Haqqani é um comandante veterano apoiado pelos EUA na guerra contra as forças soviéticas na invasão do Afeganistão durante os anos 70 e 80. Sua ligação com Bin Laden data do final da década de 80. Seu grupo é liderado por um de seus filhos, Sirajuddin Haqqani.

Outro filho de Haqqani, Badruddin, disse que nem o pai nem o irmão estavam no local atacado na manhã de hoje. "Haqqani e Sirajuddin estavam no Afeganistão no momento do ataque. Eles estão vivos", disse à agência Reuters por telefone. As vítimas do ataque ainda não foram identificadas.

Conflito

Os Estados Unidos têm pressionado o governo do Paquistão para atacar grupos de insurgentes concentrados no noroeste do país, na fronteira com o Afeganistão, de onde planejam ataques às tropas americanas e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico-Norte).

Eleito na semana passada, o novo presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari --que deve tomar posse ainda esta semana-- prometeu ser duro contra os grupos insurgentes em seu país. Muitos paquistaneses, no entanto, culpam a aliança do país com os EUA pelo aumento da violência nas regiões próximas ao Afeganistão.

No dia da votação, sábado (6), um ataque suicida em carro bomba matou 35 pessoas perto da cidade de Peshawar, também no noroeste paquistanês. Hoje, oficiais prenderam um jovem na mesma região com uma jaqueta cheia de explosivos.

Na última quarta-feira (3), um ataque de helicóptero americano na região do Waziristão do Sul, também na fronteira, deixou 20 mortos, incluindo crianças e mulheres, de acordo com oficiais paquistaneses. Um dia depois, outro ataque no Waziristão do Norte matou quatro militantes islâmicos e deixou cinco pessoas feridas.

O grupo extremista Taleban têm assumido os ataques suicidas por vingança às ações militares dos EUA no Paquistão.

Com Associated Press e Reuters

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca