Oposição a Morales fecha fronteira da Bolívia com Brasil
da Folha Online
Grupos de opositores ao presidente da Bolívia, Evo Morales, fecharam nesta segunda-feira as fronteiras com o Brasil na região de Santa Cruz (leste) e anunciaram a expulsão dos voluntários e funcionários cubanos e venezuelanos que trabalham no departamento (Estado) autonomista.
"As saídas para o Brasil e os postos alfandegários estão fechados, e os escritórios de migração foram tomados", disse o presidente da União Juvenil de Santa Cruz (UJC), David Sejas.
Ainda segundo o líder, a medida será "radicalizada" com sua extensão às outras regiões opositoras.
Com os bloqueios de estradas nas regiões de Santa Cruz, Beni, Tarija e Pando, a oposição exige que o governo volte a liberar os recursos provenientes de impostos sobre o petróleo, que atualmente são destinado a financiar benefícios para idosos.
Essas ações, que em alguns casos derivaram em ocupações violentas de instituições estatais e em interrupções de rodovias, são lideradas pelos governadores e por líderes civis dos quatro departamentos de maioria opositora.
Há 15 dias, o bloqueio de estradas no leste e no sul da Bolívia provocou uma grave crise no fornecimento de combustíveis aos quatro departamentos.
Pontes interditadas
Em Beni, os líderes civis disseram que nas próximas horas "não permitirão" as saídas para o Brasil "por Guayaramerín", ao passo que, em Pando, as pontes Internacional e da Amizade, que fazem ligação com o território brasileiro, também foram fechadas, informou a imprensa local.
"Faremos todo o possível para que restituam o IDH, reconheçam a autonomia departamental", e para que o governo "detenha essa Constituição (...) que quer nos impor", disse Sejas.
O ativista lembrou que amanhã termina a "trégua" de 72 horas dada pelas organizações civis, após a qual a pressão dos protestos deverá ser intensificada. Segundo Sejas, não estão descartadas a ocupação de aeroportos e o corte nas exportações de gás ao Brasil e à Argentina.
Constituição
A Bolívia ainda viu sua crise política se intensificar, depois do referendo revogatório do dia 10 de agosto, em que Morales e a maior parte dos governadores da oposição tiveram seus mandatos confirmados. Agora, Morales tenta obter apoio da oposição para a aprovação do seu projeto de Constituição, que foi adiado frente ao impasse sobre os referendos autonomistas e mais tarde o referendo revogatório.
O presidente anunciou neste sábado (06) que enviou ao Congresso um projeto de lei para a convocação dos dois referendos que faltam para a ratificação da nova Constituição. Em 28 de agosto, Morales decidiu, por decreto, que as duas consultas acontecerão dia 7 de dezembro.
Mas a Corte Nacional Eleitoral declarou-se impedida de preparar a votação, porque os referendos teriam de passar pelo Parlamento. Morales acusou o tribunal de "subordinação à direita", mas recuou.
Há duas semanas, a oposição protesta no sul e no norte do país. Já são 20 pontos de bloqueios, incluindo desde ontem um trecho que liga a Bolívia ao Brasil, na altura da cidade de Puerto Quijarro.
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