Na Flórida, Hillary pede voto latino para Obama
da Folha Online
A senadora democrata por Nova York Hillary Clinton disse nesta segunda-feira na Flórida que o mais importante agora é fazer Barack Obama vencer as eleições presidenciais dos Estados Unidos, em novembro.
Durante ato de sua campanha pró-Obama, Hillary esteve hoje no Centro de Exibições de Osceola Heritage Park, em Kissimmee, lar de muitos eleitores porto-riquenhos. "Minha relação com os hispânicos é de muito tempo. Sei que são gente de família, trabalhadores que merecem viver o sonho americano para eles e para seus filhos", disse a ex-primeira-dama.
"Muitos de vocês são de Porto Rico, onde vivi muitos momentos felizes. Vou estar no Senado. Vou lutar duro por vocês. Sendo senadora por Nova York, dou muita atenção à Flórida, porque é de lá (de Nova York) que muitos de vocês vieram, mas preciso de um presidente que me ajude, e é por isso que peço que apóiem Obama", afirmou a senadora.
Hillary, que desde as primárias não visitava a região central da Flórida, reconheceu a importância deste Estado, que chamou de "fundamental" nas próximas eleições.
"Estou muito agradecida pelo apoio que vocês me deram durante as primárias, e hoje estou aqui com uma simples mensagem: temos que trabalhar o mais duro que pudermos para eleger Barack Obama como próximo presidente", disse a ex-primeira-dama, que arrancou gritos de apoio dos cerca de 500 presentes no ato.
A senadora declarou ainda que existem muitas razões pelas quais é preciso votar no candidato democrata nas próximas eleições, citando o recorde de desemprego da nação desde 1970, registrado pela administração de George W. Bush.
Hillary também responsabilizou o partido do atual presidente americano, George W. Bush, pela cada vez mais difícil situação econômica.
"A Flórida é um dos estados mais golpeados por esta situação, com uma das mais altas taxas de desemprego e execuções hipotecárias da nação", afirmou.
"Barack Obama é meu candidato e espero que também seja o de vocês. Eu fiz campanha com ele e contra ele por 16 meses. Vi sua paixão e determinação, e em sua própria vida é um exemplo do sonho americano que se tornou realidade (...)", acrescentou.
Estratégia anti-Palin
Diante dos efeitos positivos de Sarah Palin na campanha republicana, Obama aposta em sua ex-rival, Hillary para alavancar sua campanha pela Casa Branca.
Nesta segunda-feira, Hillary, que se nomeada seria a primeira mulher a se candidatar ao posto, fez evento de campanha na Flórida, um dos mais importantes Estados para a votação de 4 de novembro. Embora os assessores afirmem que a agenda da ex-primeira-dama foi definida antes mesmo da escolha da governadora do Alasca para vice republicana, alguns analistas, indica o jornal "The Guardian", dizem que ela é a pessoa mais indicada para rebater o efeito Palin.
"O que [John] McCain fez com a nomeação da governadora Palin é acertar em cheio em um grupo que Obama precisa conquistar: as mulheres com baixa escolaridade", disse Mike McCurry, que foi porta-voz do governo de Bill Clinton, citado pelo jornal inglês.
A idéia é a mesma desde que Obama conquistou a nomeação; garantir os 18 milhões de votos que Hillary obteve nas primárias. Só que a questão foi agravada pela entrada de Palin, primeira mulher em uma chapa republicana.
Assim, mais do que nunca, a campanha de Hillary por Obama será crucial para contornar os efeitos de Palin, que deve entrar em forte campanha pela chapa republicana.
Efeitos
Uma pesquisa Gallup divulgada nesta segunda-feira aponta que a candidata a vice foi um dos fatores para o crescimento de McCain nas intenções de voto --50% contra 46%.
E não apenas a escolha da governadora do Alasca, mas seu discurso na terceira noite da convenção republicana --no qual se definiu como um pitbull de batom-- influenciaram positivamente nos eleitores.
A pesquisa do Gallup incluiu uma série de perguntas sobre o fator Palin na campanha republicana e apontou que ela causou uma forte impressão com o discurso, mas que sua escolha levou a visões muito positivas e muito negativas.
O seu discurso foi avaliado como "excelente" por 42% dos eleitores, contra apenas 15% que disseram o mesmo do discurso no qual McCain aceitou oficialmente a candidatura republicana.
Ainda segundo a sondagem, 36% dos eleitores disseram que a escolha de Palin para a chapa republicana foi "excelente", um número maior do que apontado após a escolha de Joe Biden para a chapa de Obama. Contudo, outros significativos 24% disseram que Palin foi uma decisão "ruim".
Embora ainda carregue o efeito tradicionalmente visto após a convenção partidária, a pesquisa Gallup dá uma idéia do potencial de Palin para a chapa republicana.
Com agências internacionais.
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