Petrobras investiga suposto corte de gás em usina da Bolívia
RENAN RAMALHO
colaboração para a Folha Online
da France Presse, em La Paz
Procurada pela Folha Online, a Petrobras, uma das gestoras da usina de distribuição de gás natural que foi ocupada por manifestantes nesta terça-feira, na Bolívia, informou, por meio da assessoria de imprensa, que está averiguando a denúncia de que teria ocorrido um corte no fornecimento do produto. A gestão da usina é feita pela empresa Transierra que é composta pela Petrobras, pela francesa Total e pela boliviana Andina.
Segundo a agência de notícias France Presse, o dirigente civil do povoado de Villamontes --onde está instalada a usina, a cerca de 1.200 km de La Paz--, Felipe Moza, disse que quatro válvulas de bombeamento de gás foram fechadas. "Não iremos enviar gás ao Brasil enquanto o governo não atender nossas demandas", afirmou Moza.
O assessor de Relações Institucionais da Transierra, Hugo Muñoz, disse também à France Presse que a companhia "enviou técnicos para avaliar a situação e ver se há danos".
Conforme a France Presse, os invasores são moradores da região de Villamontes contrários ao governo de Evo Morales. Villamontes fica em uma das três províncias produtoras de gás do Chaco boliviano, nos departamentos (Estados) de Santa Cruz, Tarija e Chuquisaca.
Protestos
Em quatro das nove regiões do país, os protestos contra Morales se acirraram, nesta terça. Nos últimos dias, as manifestações foram mais intensas nas cidades de Santa Cruz (leste), Tarija (sul), Trinidad (sudeste) e Cobija (norte), onde ao menos dez prédios públicos e três aeroportos com vôos domésticos foram ocupados.
Nesta terça-feira, a cidade de Santa Cruz foi o centro dos protestos, com os confrontos entre policiais e jovens da União Juvenil Cruzenha (UJC) nas ruas --os jovens atacaram com pedras e paus enquanto os policiais usaram bombas de gás lacrimogêneo. Os grupos ainda tentaram entrar em prédios de Impostos e Reforma Agrária.
Acusações
O governo culpou o prefeito (cargo equivalente ao de governador) de Santa Cruz, Rubén Costas, e o empresário Branko Marinkovic de "promover a violência". "Eles promovem a ocupação de prédios públicos, e a polícia e as Forças Armadas estão cumprindo o papel constitucional", disse o vice-ministro de Governo, Rubén Gamarra, à imprensa.
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