Grupo anti-Morales invade usina; autoridade descarta corte de gás
RENAN RAMALHO
colaboração para a Folha Online
da France Presse, em La Paz
Atualizado às 19h18
O diretor jurídico da Superintendência de Hidrocarbonetos da Bolívia, Leonardo Chiquie, disse nesta terça-feira, em mensagem à imprensa, que acha "muito difícil" os invasores da usina de distribuição de gás natural do povoado de Villamontes terem fechado as válvulas de fornecimento do produto ao Brasil.
Os invasores seriam moradores da região contrários ao governo de Evo Morales. Um deles, o dirigente do movimento cívico em Villamontes, Felipe Moza, foi quem denunciou o suposto corte à agência de notícias France Presse.
| Arte/Folha Online |
![]() |
"Fechar [as válvulas] sob estas circunstâncias [de invasão] constitui grave erro operacional por causa das altas pressões com as quais trabalham os gasodutos. Um fechamento assim teria conseqüências fatais para as pessoas em volta. Suponho que não poderiam fechar as válvulas. Seria um risco para suas próprias vidas, já que poderia haver uma explosão."
Segundo a France Presse, Moza afirmou que os manifestantes tinham conseguido fechar quatro válvulas de bombeamento de gás. "Não enviaremos gás para o Brasil enquanto o governo não atender nossas demandas", afirmou Moza.
Procurada pela Folha Online, a Petrobras, uma das gestoras da usina, afirmou, em nota, que, segundo a diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, "até o momento, não há sinal algum que possamos ter perda de suprimento de gás da Bolívia". O assessor de Relações Institucionais da Transierra, Hugo Muñoz, disse à France Presse que a companhia "enviou técnicos para avaliar a situação e ver se há danos".
Protestos
| Carlos Hugo Vaca/Reuters |
![]() |
| Manifestantes entram em confronto com a polícia, durante protestos em Santa Cruz |
Em quatro das nove regiões do país, os protestos contra Morales se acirraram, nesta terça. Nos últimos dias, as manifestações foram mais intensas nas cidades de Santa Cruz (leste), Tarija (sul), Trinidad (sudeste) e Cobija (norte), onde ao menos dez prédios públicos e três aeroportos com vôos domésticos foram ocupados.
Nesta terça-feira, as cidades de Santa Cruz e de Tarija foram os centros dos protestos, com confrontos de policiais e jovens da União Juvenil Cruzenha (UJC) nas ruas. Os jovem usaram paus e pedras para tentar invadir prédios de Impostos e Reforma Agrária, enquanto policiais lançavam bombas de gás lacrimogêneo para contê-los.
Três pessoas ficaram feridas, de acordo com a France Presse. A identidade delas, porém, não foi informada. "Temos dois policiais feridos, porque atacaram com dinamite", afirmou o comandante da Polícia de Tarija, coronel Reynaldo Iturri, à rede de TV PAT.
Acusações
O governo culpou o prefeito (cargo equivalente ao de governador) de Santa Cruz, Rubén Costas, e o empresário Branko Marinkovic de "promover a violência". "Eles promovem a ocupação de prédios públicos, e a polícia e as Forças Armadas estão cumprindo o papel constitucional", disse o vice-ministro de Governo, Rubén Gamarra, à imprensa.
Colaborou GABRIELA MANZINI, da Folha Online
Leia mais
- Petrobras investiga suposto corte de gás em usina da Bolívia
- Opositores do presidente da Bolívia cortam envio de gás ao Brasil
- Morales reforma gabinete e renova pasta do gás
- Morales reformula governo e muda cinco ministros na Bolívia
- Líder de protesto na Bolívia planeja bloquear gás ao Brasil
- Protestos bloqueiam fronteiras da Bolívia com Brasil, Argentina e Paraguai
- Oposição a Morales fecha fronteira da Bolívia com Brasil
Livraria
- Escritor analisa a ascensão de MORALES e da esquerda na América Latina
- Livro analisa o PROBLEMA ENERGÉTICO mundial e apresenta energias alternativas
Especial



