Mundo
10/09/2008 - 09h32

La Paz diz ver golpe "cívico-governatorial" em protestos anti-Morales

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da Folha Online
da Folha de S.Paulo

O governo do presidente Evo Morales qualificou a onda de violência antigovernista como o início de um "golpe de Estado cívico-governatorial", mas afirmou que as autoridades de La Paz não utilizarão de força para reprimir as manifestações. Ontem (9), grupos anti-Morales ocuparam prédios públicos e aeroportos nos departamentos (Estados) de Santa Cruz e Beni, além da própria capital de Tarija.

Arte/Folha Online
Mapa de Villamontes na Bolívia.
Mapa de Villamontes na Bolívia.

O episódio de protesto mais preocupante, para o Brasil, foi a ocupação de uma usina de distribuição de gás natural para o Brasil, em Villamontes, departamento de Tarija. Os manifestantes chegaram a afirmar que tinham fechado quatro válvulas de bombeamento de gás para o Brasil, o que a Petrobras --uma das gerentes da usina boliviana-- e a Superintendência de Hidrocarbonetos da Bolívia negam. Não há confirmação sobre os danos causados pelos invasores.

Mais de 70% do gás que o Brasil compra da Bolívia se destina ao mercado paulista.

Em Santa Cruz, onde os confrontos foram mais intensos ontem, grupos de jovens liderados pela União Juvenil Cruzense (UJC) invadiram, em algumas horas, os escritórios da Receita, do Instituto Nacional de Reforma Agrária (Inra), da empresa pública de telecomunicações Entel e do canal de TV estatal.

Carlos Hugo Vaca/Reuters
Soldados tentam conter protestos da oposição contra o governo de Evo Morales, no departamento de Santa Cruz, no sudeste da Bolívia
Soldados tentam conter protestos da oposição contra o governo de Evo Morales, no departamento de Santa Cruz, no sudeste da Bolívia

"Com a falta de proteção policial, grupos de vândalos conseguiram entrar nos escritórios da Televisão Boliviana, onde destruíram instalações e quebraram equipamentos", denunciou à imprensa o chefe regional da Televisión Boliviana-Canal 7 em Santa Cruz, Edgar López. Os manifestantes saquearam o escritório, destruíram computadores e móveis e fizeram uma fogueira na porta de entrada do prédio.

Durante quase todo o dia, policiais e jovens se enfrentaram nas ruas. Jovens atacavam com paus e pedras enquanto policiais tentavam contê-los com bombas de gás lacrimogêneo. Ontem, a TV da Bolívia mostrou um manifestante exibindo dois fuzis e um capacete como troféu.

Reivindicação

Os confrontos estão concentrados nos cinco departamentos governados por opositores de Morales --Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca. Os manifestantes reivindicam que o governo devolva aos departamentos a renda oriunda do petróleo que, desde janeiro passado, é destinada a um programa nacional de assistência aos idosos.

Os departamentos opositores também rejeitam o projeto da nova Constituição proposto por Morales. Eles exigem autonomia.

Golpe

Foram os ministros do Interior, Alfredo Rada, e da Defesa, Walker San Miguel, que disseram existir a intenção de promover um golpe por parte dos manifestantes. Eles ainda chamam de "fascistas" as ações coordenadas pelos Comitês Cívicos, as entidades empresariais que são aliadas dos governadores oposicionistas.

O vice-ministro do Interior, Rubén Gamarra, por sua vez, disse que os opositores promovem "uma escalada de violência" liderados pelo governador de Santa Cruz, Rubén Costas. Santa Cruz é o departamento mais rico do país, e Costas faz oposição radical a Morales, a quem já chamou de "macaco", depois do referendo em que ambos foram ratificados em seus cargos, em agosto.

Ontem, o governo boliviano descartou instaurar o Estado de sítio e insistiu que quer cumprir compromissos com Brasil e Argentina, além de ampliar o fornecimento de gás ao Paraguai e o Uruguai com a certificação de novas reservas.

Com agências internacionais

 

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