Camponeses bolivianos prometem cerco a Santa Cruz; governo aponta golpe
da Folha Online
Os sindicatos campesinos que apóiam o presidente da Bolívia, Evo Morales, prometem iniciar ainda nesta quarta-feira um bloqueio de estradas e um cerco à cidade de Santa Cruz, centro dos protestos contrários ao governo federal, ontem (9).
| Arte/Folha Online |
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De acordo com a agência de notícias Efe, o dirigente dos produtores de coca Julio Salazar disse à mídia de Cochabamba que os movimentos sociais "não têm mais paciência" para os grupos anti-Morales e que farão o cerco para "defender a democracia e a unidade do país". Eles acusam os anti-Morales de liderar "um golpe de Estado".
Salazar ecoa a opinião que os ministros do Interior, Alfredo Rada, e da Defesa, Walker San Miguel, expressaram ontem. Para eles, existe um "golpe de Estado cívico-governatorial" em andamento. Os dois chamaram de "fascistas" os atos promovidos pelos Comitês Cívicos, as entidades empresariais que lideram os protestos e são aliadas a governadores oposicionistas.
Esses governadores oposicionistas são dos departamentos (Estados) de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca, onde os protestos têm sido mais acirrados.
Santa Cruz
| Carlos Hugo Vaca-9.set.2008/Reuters |
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| Soldados tentam conter protestos da oposição contra o governo de Evo Morales, no departamento de Santa Cruz, no sudeste da Bolívia |
Santa Cruz é o departamento mais rico do país, e seu governador, Rubén Costas, realiza oposição radical a Morales, a quem já chamou de "macaco", depois do referendo em que ambos foram ratificados em seus cargos, em agosto passado.
Ontem, durante quase todo o dia, policiais e jovens liderados pela União Juvenil Cruzense (UJC) se enfrentaram nas ruas. Em algumas horas, os jovens invadiram os escritórios da Receita, do Instituto Nacional de Reforma Agrária, da empresa pública de telecomunicações Entel e do canal de TV estatal.
Hoje, Costas acusou Morales de ser o responsável "pelo acontecido". Para ele, os protestos na cidade de Santa Cruz são conseqüência do "terrorismo de Estado" praticado por Morales e da sua "cegueira" para reconhecer "o direito dos povos ao livre arbítrio e a soberania dos departamentos autônomos".
Igreja
Nesta quarta-feira, a Igreja Católica e a estatal Defensoria Pública pediram que situação e oposição dialoguem para pôr fim aos conflitos. "Faço um forte chamado à pacificação e ao respeito à vida. Rejeito toda atitude e ação que vá contra a pessoa humana, seus direitos e sua dignidade", disse o bispo Jesús Juárez.
"Hoje mais que nunca a Bolívia precisa de diálogo", afirmou o defensor público e defensor dos direitos humanos Waldo Albarracín. "É melhor conversar agora do que depois, no fim do ano, com uns cem mortos."
Reivindicação
Os confrontos estão concentrados nos cinco departamentos governados por opositores de Morales. Os manifestantes reivindicam que o governo devolva aos departamentos a renda oriunda do petróleo que, desde janeiro passado, é destinada a um programa nacional de assistência aos idosos.
Os departamentos opositores também rejeitam o projeto da nova Constituição proposto por Morales. Eles exigem autonomia.
Com Efe e Associated Press
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