Envio de gás boliviano ao Brasil sofrerá redução nas próximas 48 horas
da Folha Online
Os 31 milhões de metros cúbicos de gás natural que a Bolívia envia ao Brasil diariamente irão diminuir em aproximadamente 10% devido aos danos causados em um gasoduto da região de Yacuíba, nesta quarta-feira. O governo boliviano atribui a autoria dos danos a grupos que são contrários ao presidente, Evo Morales, e que têm realizados protestos freqüentes, nos últimos dias. Os manifestantes negam a acusação.
Essa redução no envio de gás deverá começar a afetar o Brasil nas próximas 48 horas, de acordo com o embaixador do Brasil na Bolívia, Frederico Araújo, que, segundo o Ministério de Minas e Energia, é o responsável pelo monitoramento do problema.
Conforme o embaixador, diferentemente do que foi informado mais cedo por agências de notícias, os danos não atingiram a estrutura do gasoduto, mas sim uma válvula; e equipes técnicas da empresa estatal boliviana YPFB (Yacimientos Petroliferos Fiscales Bolivianos) trabalham no conserto. Não há previsão para normalização do serviço.
Em nota, a Comgás, empresa responsável pelo abastecimento de gás natural em São Paulo, confirmou que ainda não registrou nenhuma redução e que, por enquanto, "o fornecimento a todos os clientes está normal".
O gasoduto afetado é administrado pela Transierra, da qual fazem parte a Petrobras, a Andina-Repsol e a francesa Total.
O governo de Morales classificou o suposto ataque de manifestantes contra o gasoduto como "ato terrorista". Ontem, ministros já tinham afirmado que os protestos escondiam um golpe de Estado cívico-governista. Nesta quarta, Morales acusou os Estados Unidos de apoiar aqueles departamentos (Estados) que são separatistas e ordenou que o embaixador americano Philip Goldberg "retorne ao seu país com urgência".
Ontem, manifestantes já tinham invadido uma usina de distribuição de gás em Villamontes e tentado fechar as válvulas de abastecimento de gás ao Brasil. O dirigente do Centro Cívico em Villamontes, Felipe Moza, chegou a afirmar à agência de notícias France Presse que os manifestantes tinham conseguido fechar quatro válvulas, o que acabou desmentido.
Chaco
Durante a madrugada, um campo de produção de gás que é exportado para a Argentina foi fechado em Volta Grande.
"Cerca de cem manifestantes ocuparam o campo e nós tivemos que parar as operações por questões de segurança", informou Juan Callau, presidente da empresa responsável, a Chaco. Conforme Callau, o campo só voltará a funcionar quando os manifestantes saírem. O campo de Volta Grande produz cerca de 2,5 milhões de metros cúbicos de gás por dia.
Reivindicações
Os grupos anti-Morales atuam principalmente nos departamentos (Estados) de governadores da oposição --Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca. Eles reivindicam que o governo federal devolva aos departamentos a renda oriunda do petróleo que, desde janeiro passado, é destinada a um programa nacional de assistência aos idosos.
Eles também rejeitam o projeto da nova Constituição proposto por Morales e reivindicam autonomia.
Com agências internacionais
Leia mais
- Morales expulsa embaixador dos EUA da Bolívia
- Camponeses bolivianos prometem cerco a Santa Cruz; governo aponta golpe
- La Paz diz ver golpe "cívico-governatorial" em protestos anti-Morales
- Entenda os protestos contra Morales na Bolívia
- Manifestantes invadem e saqueiam prédios estatais na Bolívia
- Fechamento de válvulas causaria explosão, diz superintendência
- Petrobras investiga suposto corte de gás em usina da Bolívia
- Opositores do presidente da Bolívia cortam envio de gás ao Brasil
- Morales reforma gabinete e renova pasta do gás
- Morales reformula governo e muda cinco ministros na Bolívia
- Líder de protesto na Bolívia planeja bloquear gás ao Brasil
Livraria
Especial

