Sete anos após o 11 de setembro, EUA mantêm ataques ao Afeganistão
FERNANDO SERPONE
da Folha Online
Sete anos depois dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, o Afeganistão continua a ser duramente bombardeado por forças dos Estados Unidos, que acirraram, mais uma vez, sua busca por Osama bin Laden, líder da rede terrorista Al Qaeda (responsável pelo maior ataque terrorista aos EUA) e por quem a administração George W. Bush oferece US$ 25 milhões.
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Menos de dois meses após os atentados de 11 de setembro de 2001, os EUA e seus aliados invadiram o país de 32,7 milhões de habitantes para derrubar o regime do grupo radical islâmico Taleban --aliado da rede terrorista Al Qaeda.
Sob o pretexto da "guerra contra o terror", os EUA invadiram também o Iraque, em 2003. O presidente dos EUA, George W. Bush, afirmava que o ex-ditador Saddam Hussein mantinha "armas de destruição em massa" e, assim, concentrou as ações americanas naquele país --as "armas de destruição em massa", porém, nunca foram encontradas.
| Rafiq Maqbool/AP |
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| Homem afegão ao lado de militares americanos; EUA e aliados enfrentam resistência violenta do Taleban no Afeganistão |
A exemplo do candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, muitos são da opinião de que os EUA, ao se aventurarem no Iraque, perderam de vista o primeiro objetivo --capturar bin Laden, que continua foragido, e o Afeganistão parece se tornar cada vez mais violento e incontrolável.
Os aliados dos EUA se mostram cada vez mais preocupados com a hostilidade em um país onde a resistência à dominação estrangeira vem de longa data e aumenta com o crescente número de civis mortos nos bombardeios das forças internacionais.
"Um dos maiores erros estratégicos que nós tivemos após o 11 de Setembro foi o de não ter concluído nosso trabalho no Afeganistão", afirmou recentemente Obama.
"Vai haver uma diferença em detalhes entre McCain e Obama, mas em termos de conteúdo, de políticas [para o Afeganistão], não haverá muita diferença", disse à Folha Online o canadense Sean Purdy, professor de história dos EUA na Universidade de São Paulo (USP). Pippa Norris, professora de política comparada da Universidade Harvard, partilha da mesma opinião "Ambos estão muito afinados quanto a essa questão."
Purdy diz que a "guerra contra o terror" não teve nenhum êxito até o momento. "A ameaça contra os EUA ainda existe, e essas duas guerras só conseguiram cultivar mais ódio contra os americanos", afirmou o professor. Para Norris, por outro lado, o fato de nenhum outro ataque ter sido realizado nos EUA desde 2001 pode ser visto como um êxito da administração Bush.
Afeganistão
Com a ofensiva da coalizão internacional liderada pelos EUA, o Taleban foi deposto no Afeganistão. Mas o grupo se reorganizou --principalmente no sul do país e nas zonas tribais paquistanesas ao longo de uma fronteira permeável-- e oferece forte e violenta resistência aos militares estrangeiros, enquanto Cabul tem dificuldades para impor a sua autoridade.
| Arte Folha Online |
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Recentemente, a escalada da violência no Afeganistão e a melhora relativa da situação no Iraque abrem caminho para um rearranjo militar americano, uma medida já pretendida pelo Pentágono, que poderá enviar mais 4.500 soldados ao Afeganistão ao término das eleições regionais no fim do ano no Iraque.
Atualmente, há cerca de 70 mil soldados das forças da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e da coalizão internacional "Operation Enduring Freedom" (Operação Liberdade Duradoura), sob comando dos EUA.
"Eles [americanos] vão ter mais problemas no futuro", opina Purdy. O professor observa que nenhum país conseguiu dominar o Afeganistão nos últimos 200 anos. "Nem os franceses e os britânicos no século 19, nem os russos e os norte-americanos nos séculos 20 e 21." "Por isso que os outros países estão retirando tropas do Afeganistão, eles sabem que isso irá se tornar mais um Iraque, mais um esforço norte-americano, e não de uma aliança internacional."
Mudança de foco
Mísseis americanos são lançados quase diariamente sobre os focos de resistência da Al Qaeda e do Taleban nas zonas tribais do Afeganistão, causando grande número de mortes entre os civis. Nesta semana, comandantes militares dos EUA disseram precisar de mais dez mil homens.
| Olivier Laban-Mattei - 20.ago.2008/AP |
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| Sarkozy conversa com sobreviventes de emboscada que matou dez franceses |
O general Jeffrey Schloesser disse que os reforços são necessários por considerar bastante provável que os talebans armem uma ofensiva nesse inverno (hemisfério norte). O Taleban prepara "ataques espetaculares" e vai tentar "diminuir a determinação internacional minando as forças de nossos aliados", afirmou o general.
O almirante Michael Mullen, o mais alto graduado americano, também advertiu para o fortalecimento dos talebans, cujos ataques são "cada vez mais sofisticados". "Não estou convencido de que estamos vencendo no Afeganistão", afirmou Mullen nesta quarta, acrescentando rapidamente: "Estou convencido que podemos."
Enquanto os EUA tentam justificar o reforço na região, aliados já começam a avaliar o ônus de manter homens no país.
| Fraidoon Pooya - 23.ago.2008/AP |
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| Garoto afegão observa carro da polícia incendiado em protesto pela morte de um civil em ataque aéreo a Azizabad, Província de Herat |
Na quarta-feira (10), o premiê canadense, Stephen Harper, anunciou que irá retirar os militares canadenses do Afeganistão até 2011. O premiê disse que os canadenses não querem manter tropas no país além desse prazo, dizendo que "dez anos de guerra são o suficiente".
Em agosto passado, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, foi ao Afeganistão demonstrar apoio às tropas no país, dias depois de uma emboscada matar dez militares franceses.
Na semana passada, as tropas americanas atacaram por terra um vilarejo fronteiriço, matando 15 civis, de acordo com Islamabad, e arriscando desestabilizar o Paquistão --importante aliado na região e única potência nuclear muçulmana.
Com agências internacionais





