Mundo
11/09/2008 - 11h34

Novo incidente cortaria 55% do envio de gás ao Brasil; Petrobras investiga

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da Folha Online
da Efe, em La Paz

Os cerca de 31 milhões de metros cúbicos de gás natural que o Brasil recebe da Bolívia todos os dias irão ser reduzidos em mais de 55%, informou nesta quinta-feira à agência de notícias Efe uma fonte do consórcio Transierra, responsável pela administração dos gasodutos entre ambos os países.

Entenda os protestos contra Morales na Bolívia

Ontem, a Transierra já havia confirmado uma redução em 10% do volume devido a danos em uma válvula de um gasoduto localizado na região de Yacuíba. Nesta quinta-feira, o percentual subiu para mais de 55% devido a um novo incidente envolvendo outro gasoduto, desta vez na estação de Bella Vista. Não há confirmação sobre os estragos ocorridos no novo episódio.

O novo incidente e a nova perspectiva de redução ainda não foram confirmados nem pela Petrobras nem pela empresa estatal boliviana YPFB (Yacimientos Petroliferos Fiscales Bolivianos).

Segundo o jornal boliviano "La Razón", o que ocorreu foi a "manipulação" de uma válvula de segurança, entre a noite de ontem e a madrugada desta quinta. O jornal ainda ressalta que, agora, a alternativa encontrada pela Transierra para driblar o problema de ontem --enviar o gás por um gasoduto de outra empresa, a Transredes-- não funcionará, porque o gasoduto alternativo não comportaria os 17,6 milhões de metros cúbicos que faltariam.

Para o governo do presidente boliviano, Evo Morales, o incidente de ontem foi provocado por grupos opositores que têm realizado protestos freqüentes na maior parte do país, nos últimos dias. Nesta quinta, o ministro da Fazenda boliviano, Luis Alberto Arce, confirmou a suspeita e afirmou que os dutos foram alvo de "atos de vandalismo e terrorismo".

De acordo com o ministro, a Bolívia estuda a possibilidade de acionar as Forças Armadas para policiar os campos petroleiros.

Conforme a Petrobras, o impacto da eventual redução no envio de gás ainda não foi sentido pelo Brasil, mas "medidas operacionais" já foram adotadas para minimizar eventuais efeitos. O ministro de Minas e Energia do Brasil, Edson Lobão, já disse que também possui um plano de contingência que pode ser implementado, em caso de desabastecimento.

Os técnicos da YPFB acreditam que o conserto da válvula de Yacuíba pode durar 15 a 20 dias. Não há previsão do conserto do gasoduto de Bella Vista.

Equipes da Comgás, a empresa responsável pelo abastecimento de gás em São Paulo, se reuniram nesta quinta para discutir o que poderá acontecer com a rede, se houver mesmo uma redução de mais de 55% no envio de gás boliviano ao Brasil.

Fazem parte da Transierra a Petrobras, a Andina-Repsol e a francesa Total.

Oposição

Os grupos anti-Morales acusados de atacar os gasodutos do país atuam principalmente nos departamentos (Estados) de governadores da oposição --Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca. Eles reivindicam que o governo devolva aos departamentos a renda oriunda do petróleo que, desde janeiro passado, é destinada a um programa nacional de assistência aos idosos; e rejeitam o projeto da nova Constituição proposto por Morales.

Ontem, Morales afirmou que esses grupos, por terem iniciativas separatistas, são apoiados pelos Estados Unidos. Por isso, ele ordenou que o embaixador americano na Bolívia, Philip Goldberg retornasse "ao seu país com urgência". Não está confirmado se a Embaixada dos EUA na Bolívia recebeu a notificação.

Com agências internacionais

 

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