Ataque aéreo dos EUA no Paquistão mata 12
Colaboração para a Folha Online
Dois mísseis disparados por um avião teleguiado dos Estados Unidos mataram ao menos 12 pessoas na madrugada desta sexta-feira no noroeste do Paquistão. Segundo um informante anônimo ouvido pela France Presse, outras dez pessoas ficaram feridas.
O ataque ocorreu no Waziristão do Norte, região vista pelo Exército americano como um forte reduto dos insurgentes do Taleban e que abriga membros da rede terrorista Al Qaeda.
O alvo do ataque foi uma casa de um morador local, Yousaf Khan Wazir, que também foi morto, disse um jornalista em anonimato. A casa fica na vila de Tole Khel, nas proximidades de Miranshah --uma das principais cidades na fronteira com o Afeganistão.
Também nesta sexta-feira, o porta-voz do Exército do Paquistão, Murad Khan, informou que 32 rebeldes e dois soldados haviam morrido nas 24 horas anteriores na região de Bajur. Outro oficial do governo, Iqbal Khattak, disse que foram 60 mortos nesse intervalo.
Um oficial da inteligência paquistanesa, também falando anonimamente, disse que a maioria das vítimas pertence ao "Punjabi Taleban" um grupo de rebeldes da Província de Punjabi. Ele também afirmou que a casa atacada funciona como um centro de treinamento militar.
De acordo com moradores locais ouvidos por jornalistas, mulheres e crianças também morreram no ataque. Oficialmente, nenhuma vítima foi identificada até o momento.
A televisão paquistanesa noticiou que, após o ataque, o avião teleguiado continuou sobrevoando a área. Pouco tempo depois, um comboio de militares do Paquistão foi atingido e três soldados ficaram feridos. Não há confirmação de que o ataque tenha sido do mesmo avião.
Tensão
O ataque aéreo foi o segundo ocorrido esta semana na fronteira com o Afeganistão. Na segunda-feira (8) um ataque semelhante matou ao menos 12 pessoas em uma escola islâmica, entre eles chefes locais da Al Qaeda. O aumento dos ataques são vistos como parte de uma campanha militar mais agressiva dos Estados Unidos a menos de dois meses das eleições presidenciais. Acredita-se que o terrorista Osama bin Laden esteja escondido nesta região.
Depois dos ataques de hoje, o partido de oposição do Paquistão convocou uma reunião conjunta no Parlamento para discutir a onda de ataques dos EUA nas últimas semanas. A série de ataques em solo paquistanês tem desgastado a aliança do país com os EUA no combate ao terrorismo.
Ontem, reportagem do jornal "The New York Times" revelou que Bush autorizou secretamente que tropas americanas atacassem rebeldes em solo paquistanês. O governo paquistanês reagiu: o chefe da Defesa, Ashfaq Kayani, disse em comunicado que o Paquistão não vai aceitar mais o ataque de tropas americanas no território e que a soberania do país vai ser defendida "a qualquer custo".
Com agências internacionais

