UE assina envio de missão civil à Geórgia; Rússia reage
Colaboração para a Folha Online
A UE (União Européia) formalizou nesta segunda-feira o compromisso de enviar à Geórgia 200 observadores civis para garantir a retirada de tropas russas das regiões que contornam a Ossétia do Sul e a Abhkázia. A missão européia, que reúne delegações de quase todos os países do bloco, deve chegar à Geórgia até o próximo dia 1º de outubro.
A UE espera que até o dia 11 de outubro todas as tropas russas sejam retiradas da Geórgia e das regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abhkázia. Apesar da formalização jurídica do envio dos observadores, o Conselho de Ministros ainda não se reuniu para discutir a situação política da Geórgia.
Também nesta segunda-feira, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, anunciou que ainda nesta semana assinará acordos de cooperação com a Ossétia do Sul e a Abhkázia. "Esta semana, assinarei os respectivos acordos especiais para desenvolver vínculos de amizade com estes novos sujeitos de direito internacional", disse Medvedev, em reunião com os líderes da União de Industriais e Empresários da Rússia (UIER).
Além da Rússia, somente a Nicarágua reconheceu a independência das duas regiões separatistas. De acordo com Medvedev, os acordos "incluem também o componente militar", conforme informado pela agência oficial RIA Novosti.
Na reunião, Medvedev também fez um apelo para que os empresários russos ajudem a Ossétia do Sul e a Abhkázia. Afirmou que o "reconhecimento dessas repúblicas como Estados independentes abre novas e amplas possibilidades de trabalho para os homens de negócios da Rússia". Disse a eles também que "será preciso reconstruir edifícios, infra-estruturas, instalações e estabelecimentos culturais, e prestar, naturalmente, assistência humanitária".
Sanções
O presidente russo reagiu aos rumores de eventuais sanções impostas por países do Ocidente à Rússia por causa da invasão à Geórgia. Afirmou que qualquer sanção irá também prejudicar os países ocidentais. "Não há sentido em pressionar a Rússia com sanções. Se tentarem introduzir sanções, os danos serão simétricos", disse Medvedev, sem mencionar qualquer exemplo específico.
Depois da guerra com a Geórgia no mês passado, diplomatas e políticos da Europa e Estados Unidos sugeriram que a Rússia fosse expulsa do G8, o grupo dos países mais industrializados do mundo. Além disso, mencionaram também um possível impedimento da Rússia de ingressar na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Sobre o assunto, Medvedev apenas disse, na mesma reunião, que gostaria de ingressar na OMC, mas não sob pressão para que a Rússia faça concessões. "Se fizermos isso [ingressar na OMC], deixe-nos entrar pelo caminho normal sem que tentem nos assustar", afirmou aos empresários.
Com agências internacionais
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