"Morales deve parar de mentir", diz governador de oposição procurado
da Folha Online
O governador do departamento (Estado) de Pando, Leopoldo Fernández, 56, afirmou em entrevista à agência de notícias Reuters, nesta segunda-feira, que o presidente da Bolívia, Evo Morales, precisa "parar de mentir para as pessoas". "Eles deviam realmente apurar o que aconteceu e parar de nos culpar pelo massacre."
Fernández teve a prisão decretada pelo governo central boliviano ontem (14). Ele é acusado de encomendar o confronto ocorrido quinta-feira (11) na localidade de El Porvenir. O conflito teria começado quando um grupo anti-Morales tentava impedir a realização de uma reunião de camponeses --esses, pró-Morales. O confronto deixou 30 camponeses mortos, de acordo com dados do governo central. Ainda há relatos de desaparecidos.
| Reuters |
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| Fernández foi ao centro de Cobija ontem |
Por causa das mortes, na sexta, o governo boliviano decretou estado de sítio em Pando. No domingo, a prisão de Fernández foi decretada. O governador nega qualquer envolvimento no crime. "Nós vamos ficar aqui e resistir ao estado de sítio", disse. Fernández acusa Morales de tentar impor o comunismo cubano na Bolívia.
Fernández afirmou também nesta segunda que "ao menos meia dúzia" de dirigentes cívicos da região já foram presos por militares bolivianos, na cidade de Cobija, capital de Pando. De acordo com o governo, foram ao menos dez presos, todos suspeitos de participar da morte dos camponeses. Com eles também teriam sido apreendidas armas e munição.
Em declarações ao canal de TV privado Unitel, Fernández disse que a líder cívica de Pando, Ana Melena de Suzuki, está entre os presos. Os soldados teriam empregado explosivos para derrubar a porta da casa da ativista.
"Nós queremos que as pessoas fiquem calmas. Estamos identificando quem está ligado a atividades ilegais", afirmou o general Walter Panozo.
Pando é um dos cinco departamentos da Bolívia que possui um governador de oposição. Os demais são Santa Cruz, Beni, Chuquisaca e Tarija. Nestes locais, nas últimas semanas, atos anti-Morales têm sido realizados com freqüência, e prédios públicos estão ocupados.
Com Reuters e France Presse



