Mundo
16/09/2008 - 12h43

Bolívia prende governador da oposição suspeito de encomendar chacina

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da Folha Online

O governador do departamento (Estado) boliviano de Pando, Leopoldo Fernández, 56, foi preso nesta terça-feira, informaram fontes do Ministério do Governo à agência de notícias France Presse. Fernández teve a prisão decretada pelo governo federal domingo (14) sob acusação de encomendar o confronto ocorrido quinta-feira (11) na localidade de El Porvenir.

O conflito começou quando um grupo contrário ao presidente boliviano, Evo Morales, decidiu deter um grupo de cerca de 340 camponeses --esses, pró-Morales-- que seguiam para uma reunião, a cerca de 15 km dali. O governo federal confirmou que os corpos de 15 mortos foram reconhecidos e que há 106 pessoas desaparecidas.

Reportagem publicada na edição desta terça-feira da Folha de S.Paulo (íntegra disponível para assinantes do jornal ou do UOL) revela que funcionários do governo regional de Pando participaram dos confrontos entre camponeses. Relatos de sobreviventes, corroborados por imagens às quais a reportagem da Folha teve acesso, mostram que atiradores dispararam contra camponeses, que tentavam fugir a nado. A Polícia Departamental, que responde ao governo nacional, assistiu à cena sem intervir.

Reuters
Fernández foi ao centro de Cobija ontem
Fernández foi ao centro de Cobija ontem

O governador, que faz oposição explícita a Morales, ao negou qualquer envolvimento com o crime.

Conforme o canal de TV estatal, Fernández foi preso na sede do governo regional por tropas militares que ocupam a cidade de Cobija, capital de Pando, desde sexta-feira (12), quando foi decretado estado de sítio no departamento. Capturado, ele foi levado ao aeroporto de Cobija, de onde foi enviado, em um avião, para La Paz. O aeroporto de Cobija chegou a ser fechado por manifestantes na semana passada, porém acabou retomado pelos militares.

Sob o estado de sítio, os militares já prenderam ao menos dez suspeitos de envolvimento na chacina. Ontem (15), em entrevista à agência Reuters, Fernández afirmou que os suspeitos presos pelos militares não são criminosos, mas sim líderes civis da região. "Nós vamos ficar aqui e resistir ao estado de sítio."

Fernández é acusado pela Procuradoria Geral da Bolívia de genocídio, e o Executivo propõe que ela seja condenado a 30 anos de prisão.

Conforme a agência de notícias Efe, ao menos dois líderes políticos favoráveis a Morales também enfrentam acusações criminais.

Oposição

Fernández é um dos cinco governadores da Bolívia que fazem oposição explícita a Morales. Eles são dos departamentos de Santa Cruz, Beni, Chuquisaca e Tarija --além de Pando, de Fernández. Nestes locais, nas últimas semanas, atos anti-Morales têm sido realizados com freqüência, e prédios públicos estão ocupados.

Os anti-Morales reivindicam que o governo federal devolva aos seus departamentos a renda oriunda do petróleo que, desde janeiro passado, é destinada para um programa nacional de assistência aos idosos. Eles rejeitam o projeto da nova Constituição e pedem autonomia.

Para Morales, a oposição boliviana tem apoio dos Estados Unidos, por ter ideais separatistas. Na semana passada, com base nessa acusação, Morales expulsou o embaixador americano no país. Em resposta, o embaixador boliviano foi expulso de Washington. O problema piorou quando o presidente venezuelano, Hugo Chávez, decidiu, em solidariedade às preocupações de Morales, expulsar o embaixador americano do país. Os EUA, então, ainda em resposta, expulsaram o embaixador venezuelano.

Com Reuters e France Presse

 

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