Bolívia prende governador em meio a negociações por fim de protestos
da Folha Online
Representantes do governo federal boliviano e dos cinco governadores de oposição do país continuam reunidos, nesta terça-feira. É o terceiro dia consecutivo de conversas para tentar formular um acordo que diminua a violência dos protestos realizados nas últimas semanas. "Esperamos que no final do dia tenhamos um acordo sobre os pontos discutidos até agora", afirmou o presidente boliviano, Evo Morales, mais cedo.
Em meio às negociações, nesta terça, o governador de Pando, Leopoldo Fernández, 56, um dos cinco da oposição, foi preso por militares na cidade de Cobija. Fernández é acusado por Morales de incentivar o episódio mais violento da onda recente de protestos. Não há informações sobre o eventual impacto da prisão sobre as negociações.
| Reuters |
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| Fernández foi ao centro de Cobija ontem |
O confronto de que Fernández é acusado aconteceu na madrugada de quinta-feira (11). Um grupo anti-Morales enfrentou cerca de 340 camponeses --esses, pró-Morales-- na localidade de El Porvenir, departamento (Estado) de Pando. O governo federal confirma a identificação de 15 mortos. Há mais 106 pessoas desaparecidas.
Reportagem publicada na edição desta terça-feira da Folha de S.Paulo (íntegra disponível para assinantes do jornal ou do UOL) revela que funcionários do governo regional de Pando participaram dos confrontos entre camponeses. Relatos de sobreviventes, corroborados por imagens às quais a reportagem da Folha teve acesso, mostram que atiradores dispararam contra camponeses, que tentavam fugir a nado. A Polícia Departamental, que responde ao governo nacional, assistiu à cena sem intervir.
O governador nega qualquer envolvimento com o crime.
Nesta terça, a reunião em La Paz inclui Morales, o vice-presidente, Álvaro García Linera, e o governador de Tarija, Mario Cossío. Também pertencem à oposição os departamentos Santa Cruz, Beni e Chuquisaca, além de Pando e Tarija.
Morales deixou a Bolívia ontem (15) para participar, em Santiago (Chile), de uma reunião de emergência da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) sobre a crise. O encontro, entre os principais presidentes sul-americanos, terminou com apoio unânime a Morales e a rejeição a qualquer tentativa de golpe civil ou de divisão territorial da Bolívia.
Os anti-Morales reivindicam que o governo federal devolva aos seus departamentos a renda oriunda do petróleo que, desde janeiro passado, é destinada para um programa nacional de assistência aos idosos. Eles rejeitam o projeto da nova Constituição e pedem autonomia.
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