Mundo
18/09/2008 - 12h32

Leite contaminado mata quarto bebê e prejudica exportações da China

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colaboração para a Folha Online

Autoridades chinesas confirmaram, nesta quinta-feira, a morte de mais um bebê por contaminação de leite em pó. O escândalo prejudicou as exportações chinesas de leite para cinco países.

A vítima mais recente foi reportada pela Administração de Saúde da província de Xinjiang, onde foram registrados 55 dos mais de 6.200 afetados pelo produto contaminado.

A melamina é um composto químico proibido para o consumo humano que dá maior consistência aos líquidos e, por ser rico em nitrogênio, pode enganar os detectores de nível de proteína. Consumida pelos bebês, a substância causou graves problemas renais.

Segundo as fontes oficiais, citadas pela agência de notícias Xinhua, 18 pessoas foram presas e vários outros suspeitos pela contaminação estão sendo interrogados no escândalo do leite adulterado da empresa estatal Sanlu.

Dos detidos, seis venderam a melamina aos fabricantes e outros 12 misturaram o produto químico ao leite e o venderam a empresas. Entre os interrogados está também a presidente da Sanlu, Tian Wenhua, que foi demitida após a descoberta da contaminação, na semana passada.

O prefeito de Shijiazhuang, onde os funcionários foram acusados de ignorar os primeiros relatos sobre as mortes dos bebês foi demitido nesta quinta-feira em mais um episódio do escândalo. Ji Chuntang já havia sido demitido, na quarta-feira, de seu cargo de vice-secretário do Comitê Municipal do Partido Comunista, informou a Xinhua.

O caso gerou pânico no país e levou milhares de mães a passar horas nas filas de hospitais do país para examinar se seus filhos consumiram leite com melamina. Alguns hospitais prometeram exames gratuitos para os bebês. O leite contaminado deixou 158 crianças com problemas renais graves, levou 1.327 para o hospital e provocou sintomas leves em outras 4.917.

Exportação

O escândalo do leite prejudicou também as exportações chinesas já que outras empresas acusadas de adulterar o produto, como Yashili e Suokang-Suncare, vendem-no para Mianmar, Bangladesh, Gabão, Burundi e Iêmen.

As autoridades de Bangladesh começaram a analisar o leite importado da China e já avaliam negociações com outros países não contaminados, como a Coréia do Sul.

Taiwan interrompeu a importação do leite fabricado pelas marcas chinesas implicadas no escândalo e a empresa dinamarquesa Arla já encerrou sua produção na filial chinesa.

A porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores, Jiang Yu, afirmou nesta quinta-feira que o leite exportado "não tem problemas", mas não quis comentar maiores detalhes.

"Lidaremos com o assunto de acordo com a lei", disse a porta-voz.

Contaminação

O governo afirmou na terça-feira (16) que 20% das empresas testadas após o início do escândalo produziram leite com melamina em sua fórmula.

Autoridades ordenaram na semana passada uma investigação de todos os leites em pó do país após ser constatado que dezenas de crianças haviam desenvolvido pedras nos rins depois de tomar uma fórmula contaminada produzida pelo grupo Sanlu.

Os resultados da investigação realizada pelo governo anunciados nesta terça mostram que o grupo Sanlu, que tem sido o foco da ira pública no escândalo, é apenas uma em meio a várias outras companhias que apresentam leite em pó adulterado. De 109 laticínios testados, 22 produzem leite com melamina, incluindo o patrocinador da Olimpíada de Pequim, Yili, e outras marcas grandes.

A estatal Sanlu --da qual 43% é de propriedade da Fonterra, neozelandesa gigante do laticínio- lidera a lista. Todos os centros verificados apresentaram leite adulterado, com o mais alto nível de concentração de melamina entre as mostras analisadas, segundo o governo chinês.

Com agências internacionais

 

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