Depois do leite, Hong Kong acusa sorvetes e iogurtes de fraude
da Folha Online
O Centro de Segurança Alimentar (CSA) de Hong Kong pediu nesta quinta-feira a retirada do mercado de oito bebidas, sorvetes e produtos lácteos da marca Yili, patrocinadora oficial dos Jogos Olímpicos de Pequim. Em exames, teles demonstraram conter melamina, segundo as autoridades locais. Recentemente, lotes de leite em pó da mesma marca contaminados com a mesma substância mataram quatro bebês e prejudicaram mais de 6.200.
"Pedimos insistentemente à população que não beba produtos dessa marca", afirmou a responsável pela CSA, Constance Chan.
Na terça-feira (16), a cadeia de supermercados Wellcome anunciou a retirada de sorvetes e iogurtes da marca de suas prateleiras.
Melamina é um composto cristalino utilizado na fabricação de resinas sintéticas. No leite, a substância foi acrescentada ilegalmente para disfarçar a diluição em água e elevar o nível de proteína da bebida. Escândalos similares de adição de substâncias proibidas a leite líquido e em pó já ocorreram no Brasil.
Não é só a marca Yili que enfrenta problemas. O escândalo começou com a estatal Sanlu, da qual 43% é de propriedade da Fonterra, neozelandesa gigante do laticínio. De acordo com as autoridades chinesas, no total, 22 das 109 empresas de laticínio do país comercializam o leite contaminado. Destas, duas exportam a cinco países --Mianmar, Bangladesh, Gabão, Burundi e Iêmen. Dezoito pessoas estão presas suspeitas de envolvimento na contaminação.
O prefeito de Shijiazhuang, onde os funcionários foram acusados de ignorar os primeiros relatos sobre as mortes dos bebês foi demitido nesta quinta-feira.
Nos últimos anos, a China também enfrentou escândalos de contaminação em ovos, carne de porco e frutos do mar. Conforme o primeiro-ministro, Wen Jiabao, agora, a China irá vistoriar "a indústria leiteira em escala nacional". Em site, Jiabao disse que o escândalo "mostra que o mercado de laticínios está totalmente desorganizado e o sistema de supervisão, defeituoso".
Outro lado
Em nota publicada em seu site, em chinês, a Yili informou que, logo após a notificação sobre o encontro de melamina nas amostras de leite em pó, retirou do mercado seus produtos que são destinados a crianças de 0 a 3 anos. Segundo a empresa, a contaminação nos produtos destinados a outros públicos "tem proporção 99:1".
Na nota, a empresa diz estar disposta a colaborar com as investigações sobre a fraude. Ela informa ainda ter aberto canais de comunicação com os consumidores; criado um programa para receber visitantes interessados em vistoriar as fábricas; e planejado investir "centenas de milhões de dólares" em 2009 na compra de vacas reprodutoras.
Com Reuters e France Presse
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