Mundo
18/09/2008 - 21h31

Bombardeiros russos deixam Venezuela; Chávez busca acordo militar

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Colaboração para a Folha Online

Dois bombardeiros russos deixaram nesta quinta-feira a Venezuela de volta à Rússia. Os modelos supersônicos Tu-160 estavam realizando testes nas águas do Caribe a partir da Base Aérea El Libertador. O Tu-160 é capaz de carregar 12 mísseis de cruzeiro com ogivas nucleares ou convencionais e 40 toneladas de bombas.

A passagem dos aviões pela Venezuela revela o estreitamento militar do país com a Rússia. Ontem, o comandante das Forças Aéreas da Venezuela, comentou os exercícios e disse que "é sumamente satisfatório poder contar com um aliado desta magnitude, que estreita sua amizade conosco e nos permite aproximar a troca de tecnologia com nossos técnicos".

Nesta quinta-feira, o ministério da Defesa da Rússia anunciou que realizou com sucesso um teste com um míssil balístico intercontinental capaz de levar ogivas nucleares. O míssil teria sido disparado de um submarino na região do Mar Branco --norte da Europa, perto da fronteira da Rússia com a Finlândia. O projétil atravessou praticamente todo o país e atingiu um alvo perto do vilarejo de Klyuchi, na Península de Kamchaka (no oceano Pacífico, extremo leste russo).

Chávez busca acordo

Nos dias 26 e 27 de setembro, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, visita o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin. No encontro, devem assinar acordos de cooperação energética e militar. O país latino-americano quer adquirir um sistema de defesa aérea russo e expressou interesse na compra do novo avião de guerra Su-35, informou Sergei Chemezov, diretor da estatal Rostekhnologii à agência russa Interfax.

Desde 2005, os países fecharam acordos de defesa orçados em mais de US$ 4 bilhões (R$ 7,5 bilhões). A Venezuela comprou caças Sukhoi, helicópteros Mi-17 e 100 mil rifles Kalashnikov. A Rússia também planeja instalar na Venezuela fábricas de navios, carros, armas e munição, além de um centro para treinar pilotos e consertar helicópteros. Um projeto de rede sem fio para internet barata na capital Caracas também está nos planos de Chávez com os russos.

Sobre a aliança com a Venezuela, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, disse que a Rússia está se isolando. "Os Estados Unidos estão confiantes que suas relações com o Ocidente não serão diminuídas por alguns poucos bombardeiros visitando uma das poucas autocracias da América Latina", disse.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, que expulsou o embaixador dos EUA na semana passada por uma suposta conspiração para derrubá-lo, disse a repórteres que a aliança com a Rússia não representa nenhuma ameaça contra outros países.

Já na área energética, Chávez tem articulado a saída de empresas como a Exxon Mobil, a Chevron e a ConocoPhillips da Venezuela e feito contratos com petroleiras chinesas e iranianas. As russas Gazprom e Lukoil já assinaram acordos de exploração no campo de Orinoco com a estatal Petroleos de Venezuela SA (PDVSA).

Com Efe e Associated Press

 

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