Rússia não quer uma nova cortina de ferro, afirma presidente
da Folha Online
O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, afirmou nesta sexta-feira que o país não cederá à pressão do Ocidente nem segue para o isolamento, como afirmou ontem (18) a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice. "Pressões externas não irão modificar nossa estratégia para construir um Estado livre, progressista e democrático."
Ontem, em discurso, Rice afirmou que atos recentes adotados pela Rússia, como a invasão da Geórgia ou a "ameaça de apontar armas nucleares para países pacíficos", demonstram que o país adota "uma pauta de comportamento cada vez pior nos últimos anos". Para Rice, a Rússia está "cada vez mais autoritária em casa e cada vez mais agressiva no exterior".
| Reuters |
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| Dmitri Medvedev rejeita insinuação de que Rússia queira uma nova cortina de ferro |
"De fato, eles tentam nos obrigar a aderir a uma agenda de desenvolvimento que não está baseada na cooperação entre os países mas sim no desenvolvimento autônomo de largos muros e de uma 'cortina de ferro'", afirmou Medvedev em uma reunião com representantes de ONGs. "Este não é o nosso caminho, e não faz sentido voltarmos ao passado."
Sem citar Rice, Medvedev ainda ironizou o fato de ela ter afirmado que os EUA vão continuar incentivando russos que queiram visitar o país. "Eu olhei a internet hoje de manhã e vi nossos amigos americanos dizendo que querem continuar dando assistência a professores, médicos, cientistas, líderes trabalhistas e juízes. O último grupo se destaca. O que isso significa? Que irão alimentar nossos juízes? Que irão apoiar corrupção? Se continuar assim, irão começar a escolher os presidentes por aqui."
Quanto aos conflitos na Geórgia, Medvedev voltou a criticar a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e a dizer que a instituição não dá segurança ao continente. "Ela [Otan] só provocou o conflito." Para o presidente russo, ao apoiar a modernização das Forças Armadas georgianas, a Otan encorajou o país a tentar reaver os territórios separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia, provocando o confronto de seis dias, em agosto passado. "Estamos tentando ensinar a todos que queremos que nossas opiniões sejam ouvidas."
Também nesta sexta, o vice-ministro de Relações Exteriores russo, Alexander Iakovenko, descartou a possibilidade de o país entrar em guerra com os EUA ou de realizar uma ação militar no Cáucaso.
Com Associated Press e Efe
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