Mundo
19/09/2008 - 13h37

Rússia não quer uma nova cortina de ferro, afirma presidente

Publicidade

da Folha Online

O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, afirmou nesta sexta-feira que o país não cederá à pressão do Ocidente nem segue para o isolamento, como afirmou ontem (18) a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice. "Pressões externas não irão modificar nossa estratégia para construir um Estado livre, progressista e democrático."

Ontem, em discurso, Rice afirmou que atos recentes adotados pela Rússia, como a invasão da Geórgia ou a "ameaça de apontar armas nucleares para países pacíficos", demonstram que o país adota "uma pauta de comportamento cada vez pior nos últimos anos". Para Rice, a Rússia está "cada vez mais autoritária em casa e cada vez mais agressiva no exterior".

Reuters
Dmitri Medvedev rejeita insinuação de que Rússia queira uma nova cortina de ferro
Dmitri Medvedev rejeita insinuação de que Rússia queira uma nova cortina de ferro

"De fato, eles tentam nos obrigar a aderir a uma agenda de desenvolvimento que não está baseada na cooperação entre os países mas sim no desenvolvimento autônomo de largos muros e de uma 'cortina de ferro'", afirmou Medvedev em uma reunião com representantes de ONGs. "Este não é o nosso caminho, e não faz sentido voltarmos ao passado."

Sem citar Rice, Medvedev ainda ironizou o fato de ela ter afirmado que os EUA vão continuar incentivando russos que queiram visitar o país. "Eu olhei a internet hoje de manhã e vi nossos amigos americanos dizendo que querem continuar dando assistência a professores, médicos, cientistas, líderes trabalhistas e juízes. O último grupo se destaca. O que isso significa? Que irão alimentar nossos juízes? Que irão apoiar corrupção? Se continuar assim, irão começar a escolher os presidentes por aqui."

Quanto aos conflitos na Geórgia, Medvedev voltou a criticar a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e a dizer que a instituição não dá segurança ao continente. "Ela [Otan] só provocou o conflito." Para o presidente russo, ao apoiar a modernização das Forças Armadas georgianas, a Otan encorajou o país a tentar reaver os territórios separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia, provocando o confronto de seis dias, em agosto passado. "Estamos tentando ensinar a todos que queremos que nossas opiniões sejam ouvidas."

Também nesta sexta, o vice-ministro de Relações Exteriores russo, Alexander Iakovenko, descartou a possibilidade de o país entrar em guerra com os EUA ou de realizar uma ação militar no Cáucaso.

Com Associated Press e Efe

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca