Mundo
21/09/2008 - 21h24

Paquistão investiga maior atentado da história do país; mortos somam 53

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da Efe, em Islamabad
da Folha Online

O governo do Paquistão qualificou neste domingo de o "maior atentado da história do país" o ataque suicida ocorrido sábado (20) contra o hotel de luxo Marriott em Islamabad, que deixou ao menos 53 mortos e 266 feridos, entre eles vários estrangeiros.

O Paquistão já sofreu ataques mais violentos, mas o ministro do Interior paquistanês, Rehman Malik, em entrevista coletiva, disse que, desta vez, os terroristas utilizaram 600 quilos de explosivos de alta qualidade, como o TNT e o RDX.

"Tínhamos informação sobre um possível atentado em Islamabad. Esta ação estava muito bem planejada", disse Malik, que negou falhas de segurança.

Embora, por enquanto, ninguém tenha assumido a autoria do ataque, segundo o ministro o atentado foi planejado por algum dos grupos que operam nas áreas tribais do noroeste paquistanês, e várias linhas de investigação apontam para a Al Qaeda.

Vídeo

Na entrevista coletiva, Malik apresentou um vídeo com imagens de um circuito fechado de televisão, que mostram fatos que precederam o atentado, executado com um caminhão-bomba carregado de explosivos.

O vídeo exibe a chegada do caminhão ao posto de segurança do hotel. O motorista se suicida fazendo explodir uma pequena bomba, que causa um incêndio na cabine do veículo.

Os guardas fogem após o ocorrido. Mais tarde, eles se recompõem e um deles tenta inclusive apagar o fogo com um extintor, mas não consegue evitar que as chamas cheguem à parte de trás do caminhão e provoquem uma forte explosão.

O ataque abriu uma cratera de 17 metros de diâmetro e a detonação foi acompanhada da explosão de um encanamento de gás, que incendiou rapidamente o hotel de cinco andares e mais de 250 quartos. Vários hóspedes do Marriott, muito freqüentado por estrangeiros e empresários, ficaram presos no incêndio.

O objetivo, disse Malik, era jogar o caminhão contra o hall do hotel Marriott, apesar de, horas antes, ele mesmo ter afirmado que os autores poderiam ter pensado em atacar alguma das autoridades do país.

"Se o caminhão tivesse conseguido alcançar o hall do hotel, quebrando os vidros, o dano teria sido muito maior", declarou.

Os terroristas conseguiram passar pelos controles de segurança porque fizeram o caminhão-bomba se passar por um veículo de transporte de obras da construção.

Estrangeiros são vítimas

Malik disse não querer "ajuda externa" para a investigação do atentado, no qual confirmou a morte de quatro estrangeiros, entre eles um americano, um vietnamita e o embaixador tcheco no Paquistão, Ivo Zdarek.

"Vivia há alguns meses no Marriott. Estava buscando residência na capital. Era uma pessoa ótima, jovial, desportista", disse uma fonte diplomática sobre Zdarek.

Entre os feridos, há 11 estrangeiros que foram resgatados pelas equipes de ajuda no interior do hotel, onde os bombeiros ainda tentavam controlar as chamas.

As equipes de resgate não puderam agir imediatamente porque o fogo alcançou uma temperatura de 400 graus Celsius em menos de uma hora. Hoje, vários corpos carbonizados foram retirados do hotel, que já sofreu ataques no passado.

Além de gerar condenações ao redor do mundo, o atentado causou uma profunda preocupação na comunidade diplomática de Islamabad, e as embaixadas da União Européia (UE) debaterão amanhã novas medidas de segurança na capital paquistanesa.

A ONU também está considerando passar à fase 3 de segurança, com rígidas medidas para a segurança de seus funcionários em Islamabad.

Enquanto isso, as autoridades formaram uma equipe de investigação de oito pessoas que enviará um relatório inicial ao Ministério do Interior com os primeiros dados sobre o caso.

À espera da contribuição que a investigação fornecerá, as principais autoridades do Paquistão já reagiram ao atentado: no sábado, o presidente, Asif Ali Zardari, qualificou o terrorismo de um "câncer", e hoje, o primeiro-ministro, Yousaf Raza Gillani, tentou transmitir firmeza a seus compatriotas. "Ninguém dobrará a ordem legal do Estado", disse o primeiro-ministro.

O ataque contra o Marriott é o último da brutal série de ações que, nos dois últimos anos, sofreu o Paquistão --aliado dos EUA desde o 11 de Setembro. No país permanece ativo um forte movimento extremista que mede forças com o Exército no noroeste paquistanês.

 

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